Até onde vai o dólar?

Evolução do Câmbio R$;US$, corrigidas as inflações

PARA ONDE VAI O DÓLAR

Resumo:

O câmbio do dólar varia muito frente aos humores da política, dos juros externos e internos e da própria política econômica. Nossa percepção é eclipsada pelo diferencial de inflação do Brasil e EUA. Corrigidas as duas inflações, pode-se ver que o dólar oscila entre valores médios de longo prazo.

A E&E publica regularmente os valores históricos disponíveis mensais e anuais que tem se mostrado úteis na projeção do que vai acontecer no médio e longo prazo.

Palavras chave:

Dólar, câmbio, contas externas, política econômica, dados econômicos.

Conforme Antecipávamos, ou
 a Tendência para o Dólar de Equilíbrio.

Os dados históricos conduzem aos do presente. Há muito, o Painel da E&E mostrava que o Real estava supervalorizado ou, o que é o mesmo que dizer que a cotação do dólar estava baixa. Aproveita-se a oportunidade de mostrar que a análise estava correta e para ensaiar projeções de médio prazo, reproduzimos abaixo nosso painel sobre o câmbio.

Painel: Nesse painel estão representados os valores mensais e anuais médios. Ele pode ser expandido para ocupar toda a tela e os dados do gráfico lidos em cada ponto. De 1 a 3 estão os quadros, mensal, anual e metodológico.

O dólar já ultrapassou a cotação média histórica para o câmbio flutuante que é de 3,80 e não teria muito espaço para subir. No último mês de setembro, a cotação média foi de 4,12 e a máxima chegou a 4,19 R$/US%%EDITORCONTENT%%nbsp; que estão 10% acima da média histórica a partir de 1999. Ou seja, a tendência de médio e longo prazo é de queda.

A situação é de curto e médio prazo, o comportamento futuro vai depender da crise política, que é grande, vir a contaminar a do comércio externo que não é dos piores: reservas altas, superávit na balança comercial, mas dívida externa crescente e dívida interna que pode alimentar a externa. Ademais, o passivo externo relativo ao PIB continua crescendo e já atinge 88% do PIB.

Em momentos de crise econômica é natural que os aplicadores procurem um valor de referência mais estável. Por essa razão, mesmo nos casos de crise nos EUA, como a de 2008, os aplicadores fogem dos países que consideram de maior risco. Na Figura 1, algumas dessas crises estão assinaladas bem como a atual que ainda se delineia.

Pode-se constatar que, nas crises assinaladas, houve um certo padrão no comportamento dos picos de cotação do dólar. O pico durou em média 15 meses (largura na base) e o valor máximo foi cerca de 40% do valor no início da crise.

Profecias de curto prazo são extremamente arriscadas porque os desmentidos podem vir rápido; não obstante, fica a tentativa (sem nenhum compromisso) de dar uma indicação para os próximos meses. Pelo padrão anterior, o máximo seria atingido em setembro ou outubro e o valor máximo da cotação ficaria perto de 4,60 R$/US. O valor decairia em seguida provavelmente se estabilizando perto do valor histórico de cerca 3,80 nos primeiros meses de 2019. Isto, na perspectiva otimista de que seja apenas uma crise passageira que encerre o movimento de realinhamento já delineado desde o início de 2012 de reaproximação dos valores do câmbio de equilíbrio (3,80 R$/US$). 

Evolução do Câmbio R$;US$, corrigidas as inflações
Figura 1: Crises refletidas na cotação do dólar; observe-se também, a partir de 2012, uma tendência coerente de aproximação aos valores históricos do câmbio.

Para acompanhar o histórico veja Câmbio de Equilíbrio[1]. Os detalhes de cálculo podem ser vistos em metodologia, sob o mesmo título[2].

NOTAS

[1] http://eee.org.br/?page_id=215

[2] http://www.ecen.com/eee36/cambio_de_equilibrio.htm

Câmbio

Câmbio de Equilíbrio

Qual a cotação futura do dólar?

A média histórica pode dar uma boa indicação da tendência de longo prazo. Para medi-la em termos reais, no entanto, é necessário descontar a perda de valor com a inflação nos países de origem.

Isto é feito no Painel abaixo onde o gráfico anual mostra, em moeda da data da última medida, o valor real do câmbio desde 1947. Pode-se ver que o câmbio oscila em torno de uma média de longo prazo. O gráfico mensal mostra os valores a partir de Março 1999 quando se adotou o regime de câmbio flutuante no qual o Governo limita sua atuação a intervenções indiretas vendendo ou comprando divisas. É, portanto, um regime de câmbio onde não existem mais interferências diretas dos agentes públicos onde a cotação do dólar chegou a ser determinada por decreto ou portaria e mantida artificialmente até tornar-se insustentável.

Câmbio Médio R$/US$: Valores médios históricos em moeda atualizada:

Painel: Valores anuais e mensais da taxa de câmbio em R$/US$ em moeda atualizada para a última data mostrada no gráfico: Mostra-se a média histórica e a referente ao período onde o câmbio passou a ser flutuante (a partir de 1999) e a diferença entre essa média e a última cotação. Cada gráfico pode ser realçado em separado e os valores dos pontos são indicados com o auxílio do cursor.


Recursos do Painel Mostrado

Recursos do Painel em Power BI

A Figura ilustra alguns recursos do Painel acima elaborado com o Programa Microsoft Power BI que possibilita reunir várias informações sobre o mesmo assunto em um painel. No caso, são apresentados 3 quadros sobre o comportamento do câmbio comercial corrigido: Dados mensais a partir de 1999 (período de câmbio flutuante), dados anuais a partir de 1947 (dados mensais podem também ser vistos para período mais recente) e explicação sobre a correção de inflação. O quadro dois ilustra melhor os recursos disponíveis.


A cotação futura do dólar é uma informação cuja resposta precisa seria bastante valiosa. Como mostra o comportamento de longo prazo, valores muito fora da média tendem a ser revertidos.  Infelizmente, a questão não é de simples resposta já que muitos são os fatores que influenciam o câmbio como a solidez econômico-financeira do País e de suas principais empresas, as expectativas de estabilidade política, a taxa de juros real praticada e o próprio comportamento tendencial do câmbio já que frequentemente o “efeito manada” exerce um papel fundamental nas cotações. Também existe a ação direta sobre o câmbio seja por intervenção  governamental, seja por compra e venda de moedas estrangeiras efetuada pelo Banco Central, ou ainda, pela ação direta de mega-especuladores.

O dólar de equilíbrio(*), ou melhor a média dos valores históricos corrigidos tomada como proxy do que seria o valor que equilibraria o comércio entre o País e o exterior, é útil também para avaliação de competitividade entre empresas brasileiras e empresas situadas no exterior. A simples taxa de câmbio pode conduzir a conclusões contraditórias frente as fortes oscilações históricas que apresenta. O dólar de equilíbrio oferece uma resposta sobre a competitividade que é mais adequada para o longo prazo.

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(*) Nota: Ver discussão sobre o conceito de dólar de equilíbrio em http://www.bankofengland.co.uk/archive/Documents/historicpubs/workingpapers/2004/wp248.pdf