{"id":5687,"date":"2024-12-12T01:12:27","date_gmt":"2024-12-12T04:12:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ecen.com.br\/?p=5687"},"modified":"2024-12-12T10:14:03","modified_gmt":"2024-12-12T13:14:03","slug":"academia-brasileira-de-ciencias-condecora-engenheiro-othon-luiz-pinheiro-da-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ecen.com.br\/?p=5687","title":{"rendered":"Academia Brasileira de Ci\u00eancias condecora Engenheiro Othon Luiz Pinheiro da Silva"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"5687\" class=\"elementor elementor-5687\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9333dce elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9333dce\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-909e5b4\" data-id=\"909e5b4\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7bed10f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7bed10f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<h2><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5688\" src=\"https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"471\" height=\"327\" data-wp-pid=\"5688\" data-pin-nopin=\"nopin\" srcset=\"https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1.jpg 1299w, https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1-300x208.jpg 300w, https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1-1024x710.jpg 1024w, https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1-768x532.jpg 768w, https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1-1200x832.jpg 1200w, https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Imagem1-600x416.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 471px) 100vw, 471px\" \/><\/h2><h2>Resumo<\/h2><p>O texto destaca a biografia e contribui\u00e7\u00f5es de Othon Luiz Pinheiro da Silva, Vice-Almirante da Marinha R1 e engenheiro reconhecido por seu trabalho significativo na ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o no Brasil, especialmente na \u00e1rea nuclear. Formado em engenharia naval e nuclear, Othon projetou navios e submarinos e liderou o desenvolvimento do ciclo de combust\u00edvel nuclear brasileiro. Recebeu o t\u00edtulo de Master in Science pelo MIT e elaborou relat\u00f3rios fundamentais que moldaram a pol\u00edtica nuclear brasileira. Sua carreira incluiu tamb\u00e9m a presid\u00eancia da Eletronuclear, onde melhorou a efici\u00eancia da Central de Angra. Em reconhecimento a seu trabalho, a Academia Brasileira de Ci\u00eancias concedeu-lhe a Medalha Henrique Morize. O texto tamb\u00e9m menciona desafios pol\u00edticos e t\u00e9cnicos enfrentados, como resist\u00eancias internacionais ao repasse de tecnologias nucleares cr\u00edticas, e suas contribui\u00e7\u00f5es para a autossufici\u00eancia do Brasil em tecnologia nuclear, culminando na fabrica\u00e7\u00e3o de centr\u00edfugas avan\u00e7adas e na constru\u00e7\u00e3o de um reator inteiramente brasileiro.<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2c3a191 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2c3a191\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4b5c764\" data-id=\"4b5c764\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-03e203e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"03e203e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<h2>Engenheiro Othon Luiz Pinheiro da Silva<\/h2><p>Em 22 de Agosto deste ano de 2024 a Diretoria da Academia Brasileira de Ci\u00eancias \u2013 ABC decidiu, por unanimidade conceder ao Vice-Almirante e Engenheiro Othon Luiz Pinheiro da Silva a Medalha Henrique Morize \u201cem reconhecimento aos inestim\u00e1veis servi\u00e7os prestados \u00e0 Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do Brasil, especialmente no campo da energia nuclear\u201d.<\/p><p>A carta da Presidente Helena Bonciani Nader \u00e9 dirigida ao Engenheiro Othon, como ele mesmo prefere ser chamado em suas atividades civis. \u00c9\u00a0 esse aspecto de sua prof\u00edcua atividade que preferimos destacar aqui.\u00a0<\/p><p><strong>Nascimento<\/strong>: 1939 em Sumidouro &#8211; RJ<\/p><p><strong>Gradua\u00e7\u00e3o<\/strong>: Escola Naval 1960<\/p><p>Vice-Almirante R 1do Corpo de Engenharia da Marinha<\/p><p><strong>Engenharia Naval:<\/strong> Formado em Engenharia Naval pela Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo em dezembro de 1966,<br \/>A partir de 1967 at\u00e9 1990<\/p><ul><li>Coordenou a constru\u00e7\u00e3o dos dois navios de Patrulha Fluvial Pedro Teixeira e Raposo Tavares e as Fragatas Independ\u00eancia e Uni\u00e3o;<\/li><li>Projetou os 3 navios de Instru\u00e7\u00e3o de Manobras da Classe Aspirante Nascimento para a Escola Naval;<\/li><li>Liderou, em 1990, o Projeto de Concep\u00e7\u00e3o do Estaleiro de Constru\u00e7\u00e3o de Submarinos da Marinha em Itagua\u00ed Rio de Janeiro.<\/li><\/ul><p><strong>Engenharia Nuclear<\/strong> :<\/p><ul><li>Em dezembro de 1977, recebe o t\u00edtulo de Master in Science e Nuclear Engineers Degree no MIT- Massachusetts Institute of Technology tendo apresentado tese classificada naquela institui\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de Doutorado<\/li><li>Em 1978, elaborou o relat\u00f3rio que serviu como base para o Programa de Desenvolvimento da Propuls\u00e3o Nuclear para Submarinos e do Ciclo do Combust\u00edvel Nuclear genuinamente brasileiro usando usinas de enriquecimento com ultracentr\u00edfugas projetadas e fabricadas no Brasil por brasileiros sendo autor do Projeto de Concep\u00e7\u00e3o e Coordenador do processo de Industrializa\u00e7\u00e3o<\/li><li>A partir de 1979 at\u00e9 1994 passou a trabalhar no projeto, da Marinha coordenando a Comiss\u00e3o de Projetos Especiais (COPESP) a partir da qual concebeu e coordenou a constru\u00e7\u00e3o do\u00a0 Centro de Tecnologia da Marinha em S\u00e3o Paulo (CTMSP) e a constru\u00e7\u00e3o do Centro Experimental ARAMAR para instala\u00e7\u00e3o das Usinas de Demonstra\u00e7\u00e3o Industrial do Ciclo de Combust\u00edvel Nuclear e para a Instala\u00e7\u00e3o de Prot\u00f3tipo de Terra da Instala\u00e7\u00e3o de Propuls\u00e3o Nuclear para Submarinos<\/li><li>Entre 1982 e 1994, acumulou a fun\u00e7\u00e3o de Diretor de Pesquisas de Reatores do Instituto de Pesquisas de Reatores do IPEN &#8211; Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares, em cuja gest\u00e3o foi projetado e constru\u00eddo o Reator Nuclear de Pesquisas IPEN-MB 01, \u00fanico reator de pesquisas inteiramente projetado e constru\u00eddo no Brasil; Coordenou a moderniza\u00e7\u00e3o do Reator de Pesquisas IEA-R1 melhorando a seguran\u00e7a e aumentando a pot\u00eancia de 2 para cinco Megawatts para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos no pa\u00eds.<\/li><\/ul><p><strong>Engenharia Mec\u00e2nica<\/strong>: <em>Master in Science<\/em> no MIT &#8211; Massachusetts Institute of Technology em 1977.<\/p><p>De 1995 a 2005, em sua empresa\u00a0 de consultoria ARATEC, na \u00e1rea de engenharia,\u00a0 Othon dedicou-se a uma s\u00e9rie de projetos de consultoria para entidades p\u00fablicas e privadas a maioria deles n\u00e3o vinculados \u00e0 energia nuclear. N\u00e3o se furtou a manifestar, no exerc\u00edcio de cidadania, sua opini\u00e3o, algumas vezes pol\u00eamicas, sobre assuntos energ\u00e9ticos, navais e nucleares. Tamb\u00e9m desenvolveu e patenteou uma turbina de gera\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9trica construiu um prot\u00f3tipo obtendo o apoio de empres\u00e1rios para esse empreendimento.<\/p><p>Sob demanda do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica (CNPE) efetuou uma avalia\u00e7\u00e3o do ponto de vista t\u00e9cnico e econ\u00f4mico sobre o reator da KWU alem\u00e3, do tipo Angra 2 bastante positiva. Tamb\u00e9m defendia a necessidade da energia nuclear na Matriz Energ\u00e9tica Brasileira o que interessou a empresas de engenharia brasileira, com interesse na retomada da constru\u00e7\u00e3o de Angra 3.<\/p><p>Por seu prest\u00edgio na \u00e1rea nuclear e sua posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel a expans\u00e3o da energia nuclear ele foi escolhido para Diretor Presidente da Eletronuclear e permaneceu \u00e0 frente da estatal de 2005 a 2015. Em sua gest\u00e3o houve uma sens\u00edvel melhora no desempenho da Central de Angra que passou a ter um dos melhores desempenhos no n\u00edvel mundial, em termos m\u00e9dios, a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica passou de 68% para 89% da capacidade te\u00f3rica ao ano.\u00a0<\/p><p>Problemas persistentes como o deposit\u00f3rio para rejeitos de alta atividade foram equacionados do ponto de vista conceitual. A coopera\u00e7\u00e3o com as universidades e outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa foram incentivadas em sua gest\u00e3o que tamb\u00e9m reativou a constru\u00e7\u00e3o de Angra 3 infelizmente interrompida por sua sa\u00edda.<\/p><p>A concess\u00e3o da Medalha Henrique Morize \u00e9 muito oportuna pelo reconhecimento da import\u00e2ncia\u00a0 do engenheiro e almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva para a Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o no Brasil. \u00c9 um passo importante no resgate de seu valor como o\u00a0 grande brasileiro que \u00e9.<\/p><p>Relembrando a frase de desejo e esperan\u00e7a atribu\u00edda a Tiradentes: <br \/>\u201c<strong>Se todos quisermos, poderemos fazer deste pa\u00eds uma grande na\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d<br \/>O engenheira\u00a0 e almirante Othon <strong>quis e fez<\/strong>.<\/p><h2>Participa\u00e7\u00e3o no Programa Aut\u00f4nomo de Energia Nuclear<\/h2><p>No projeto, inicialmente secreto, que buscava o dom\u00ednio do ciclo de combust\u00edvel e, desta forma, criar bases para a constru\u00e7\u00e3o de um submarino nuclear, surgiram as maiores conquistas alcan\u00e7adas no Brasil na \u00e1rea nuclear. Elas s\u00e3o o principal motivo da homenagem que o engenheiro Othon recebe hoje da ABC.<\/p><p>Vale lembrar que, em 1975, o Governo Geisel firmara um ambicioso programa nuclear com a Alemanha cujo objetivo principal era alcan\u00e7ar autonomia na gera\u00e7\u00e3o de Energia Nuclear, incluindo o dom\u00ednio do ciclo de combust\u00edvel e a constru\u00e7\u00e3o de 8 reatores de pot\u00eancia para a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica de origem nuclear. J\u00e1 na \u00e9poca, criticava-se a proje\u00e7\u00e3o de demanda el\u00e9trica que justificaria a aquisi\u00e7\u00e3o das centrais previstas como exagerada. Este seria, entretanto o pre\u00e7o que se pagaria pelo dom\u00ednio completo do ciclo de combust\u00edvel que inclu\u00eda enriquecimento e reprocessamento. Nenhum desses avan\u00e7os foram alcan\u00e7ados j\u00e1 que o primeiro dependia de uma tecnologia n\u00e3o testada, quanto ao segundo, houve muitas obje\u00e7\u00f5es externas e internas e praticamente nada foi feito, nem no n\u00edvel laboratorial.<\/p><p>O principal ganho tecnol\u00f3gico que o Brasil esperava do Acordo Nuclear com a Alemanha era obter o processo de enriquecimento de ur\u00e2nio utilizado nas ultracentr\u00edfugas da URENCO, cons\u00f3rcio europeu com a participa\u00e7\u00e3o da Alemanha, Pa\u00edses Baixos e Reino Unido. Essa transfer\u00eancia de tecnologia das ultracentr\u00edfugas foi vetada pelos Pa\u00edses Baixos, tendo sido oferecida ao Brasil a tecnologia alternativa do <em>jetnozzle<\/em> ainda em desenvolvimento pela Alemanha e implicava grandes gastos de energia.<\/p><p>Mesmo sujeita a salvaguardas in\u00e9ditas que al\u00e9m de materiais e equipamentos, inclu\u00eda o uso, em outras atividades, das chamadas \u00a0\u201cinforma\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas relevantes\u201d que representavam o pr\u00f3prio conhecimento transmitido, os EUA pressionaram fortemente o governo alem\u00e3o e o brasileiro contra o Acordo entre os dois pa\u00edses. Chegaram a romper o contrato feito para o reator de Angra 1 de fabrica\u00e7\u00e3o Westinghouse que inclu\u00eda a obriga\u00e7\u00e3o dos EUA fornecessem o combust\u00edvel do reator por 30 anos. Essa dupla negativa fez parte da press\u00e3o pol\u00edtica do Governo Carter que foi contornada com a compra de elementos combust\u00edveis fornecidos pelos alem\u00e3es. Estes elementos combust\u00edveis apresentaram defeitos graves obrigaram uma redu\u00e7\u00e3o na energia gerada e sua substitui\u00e7\u00e3o prematura.<\/p><p>Foi a frustra\u00e7\u00e3o com o n\u00e3o repasse de tecnologia prometida para o enriquecimento e a recusa pr\u00e1tica de fornecimento da tecnologia de reprocessamento que criou um movimento contra as restri\u00e7\u00f5es estadunidenses e levou ao Governo Figueiredo a deflagrar o programa \u201cparalelo\u201d com atividades nas tr\u00eas for\u00e7as militares.<\/p><p>O Brasil lan\u00e7ou-se em iniciativas, coordenadas por Rex Nazar\u00e9 na Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no sentido de encontrar um caminho aut\u00f4nomo para o desenvolvimento nuclear. O Ex\u00e9rcito ficou encarregado do reator\u00a0 moderado a grafite que poderia vir a fornecer plut\u00f4nio, com combust\u00edvel de ur\u00e2nio natural met\u00e1lico e refrigerado a ar, a Aeron\u00e1utica\u00a0 investiu no enriquecimento por laser. A Marinha se prop\u00f4s a completar o desenvolvimento do ciclo de combust\u00edvel acrescentando a etapa mais dif\u00edcil de enriquecer o ur\u00e2nio, tamb\u00e9m alcan\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o do primeiro reator inteiramente concebido e fabricado no Brasil e lan\u00e7ou as bases para a constru\u00e7\u00e3o do submarino nuclear.<\/p><p>Foi nesse cen\u00e1rio, que a partir de um estudo inicial de tr\u00eas meses, encomendado ao jovem oficial Othon, foi lan\u00e7ada a ideia de buscar a constru\u00e7\u00e3o de um submarino convencionalmente armado com propuls\u00e3o nuclear e a independ\u00eancia no ciclo de combust\u00edvel. A Marinha praticamente n\u00e3o se dedicava ainda \u00e0 energia nuclear, mas a Aeron\u00e1utica sim, havendo um esfor\u00e7o coordenado pelo Coronel Jos\u00e9 Albano Alberto do Amarante para o enriquecimento usando laser. Esse brilhante cientista, prestou ajuda ao programa da Marinha e veio a falecer prematuramente v\u00edtima de uma leucemia galopante.<\/p><p>Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, e a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988 e a ades\u00e3o a acordos internacionais que reafirmaram os usos unicamente pac\u00edficos da energia nuclear e a ren\u00fancia \u00e0s explos\u00f5es nucleares ditas pac\u00edficas, foram revistas algumas das iniciativas em curso na \u00e1rea nuclear. Como resultado, o Ex\u00e9rcito e a Aeron\u00e1utica optaram por interromper seus programas<\/p><p>\u00a0A abertura pol\u00edtica e as inspe\u00e7\u00f5es decorrentes dos acordos internacionais demonstraram, no entanto, que o Brasil nunca ultrapassara os\u00a0 limites definidos pela Constitui\u00e7\u00e3o e os acordos de uso exclusivamente pac\u00edficos da energia nuclear nem contribuira para a prolifera\u00e7\u00e3o nuclear em outros pa\u00edses.<\/p><h2>O Enriquecimento do Ur\u00e2nio<\/h2><p>O Programa Nuclear Brasileiro passou por uma an\u00e1lise profunda tanto no \u00e2mbito do Congresso, no do Executivo como da chamada Comiss\u00e3o Vargas, com participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios membros da ABC. No programa da Marinha, n\u00e3o\u00a0 foi necess\u00e1ria nenhuma corre\u00e7\u00e3o de rumo j\u00e1 que eles sempre estiveram de acordo com os compromissos \u00e0 \u00e9poca vigentes e aqueles que o Brasil veio a assumir na pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o e em acordos regionais e internacionais.<\/p><p>A aquisi\u00e7\u00e3o da capacidade de enriquecer o ur\u00e2nio e o dom\u00ednio de todo o ciclo de combust\u00edvel provocou uma mudan\u00e7a de \u00a0<em>status<\/em> do Brasil que \u00e9 hoje considerado um pa\u00eds nuclearmente maduro e com compromisso firme com o uso exclusivamente pac\u00edfico da energia nuclear. Ou seja, o Brasil \u00e9 considerado um pa\u00eds capaz de fabricar seus elementos combust\u00edveis, inclusive os que iriam ser\u00e3o necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o do reator do submarino nuclear, e com capacidade de construir o pr\u00f3prio reator. \u00a0<\/p><p>O Brasil, logo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, j\u00e1 havia, atrav\u00e9s do Almirante \u00c1lvaro Alberto, tentado adquirir a tecnologia de centr\u00edfugas mediante a importa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas unidades alem\u00e3s. A remessa dessas centr\u00edfugas foram proibidas pelas autoridades ocidentais de ocupa\u00e7\u00e3o da Alemanha no P\u00f3s-Guerra. Afinal, elas foram remetidas para o Brasil e usadas na separa\u00e7\u00e3o de arg\u00f4nio e at\u00e9 \u00a0escaparam da destrui\u00e7\u00e3o requeridas por agentes externos\u00a0 ao serem emparedadas no IPT, at\u00e9 que o pr\u00f3prio Othon as resgatou para treinamento e estudo \u00a0de sua equipe. Na verdade, elas n\u00e3o eram adequadas para enriquecer ur\u00e2nio em quantidades significativas, mas acabaram sendo \u00fateis para fins did\u00e1ticos.<\/p><p>A conquista do enriquecimento isot\u00f3pico do ur\u00e2nio foi resultado de um dos projetos mais bem sucedidos e resultou na verdadeira independ\u00eancia do Pa\u00eds na \u00e1rea nuclear. Tudo isto foi realizado em um quadro econ\u00f4mico dif\u00edcil do in\u00edcio do Governo Figueiredo, na crise de 1979. \u00a0Mesmo em um processo de restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria que impedia novas contrata\u00e7\u00f5es, um novo Centro de Pesquisas foi constitu\u00eddo sendo que os recursos vieram de verba secreta. \u00a0Um processo de contrata\u00e7\u00e3o de jovens promissores pelo Governo de S\u00e3o Paulo para trabalhar no projeto necessitou contar com uma improv\u00e1vel alian\u00e7a que reuniu o Governador Montoro de S\u00e3o Paulo, do partido de oposi\u00e7\u00e3o (MDB), e o \u00faltimo presidente do regime militar, o general Figueiredo.<\/p><p>Naquela \u00e9poca, o IPEN tinha uma tripla depend\u00eancia que envolvia o Estado de S\u00e3o Paulo, o Governo Federal via CNEN e a Universidade de S\u00e3o Paulo. O IPEN era o mais importante dos instituto vinculados \u00e0 CNEN e o \u00fanico a n\u00e3o ser absorvido pela toda poderosa, \u00e0 \u00e9poca, Nuclebras justamente por essa tripla depend\u00eancia.<\/p><p>As perip\u00e9cias que envolveram esta improv\u00e1vel alian\u00e7a mostraram uma habilidade na condu\u00e7\u00e3o do projeto que demonstram a grande capacidade de captar simpatizantes e colaboradores do engenheiro Othon. A esta jovem safra de colaboradores foi oferecida um grau de liberdade muito dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada em uma institui\u00e7\u00e3o militar. Tamb\u00e9m \u00e9 extensa a lista de colaboradores mais experientes, principalmente do IPEN, mas que incluiu pessoal de v\u00e1rios departamentos de universidades que adotaram com entusiasmo a possibilidade de concretizar projetos desafiadores que foram abra\u00e7ados com grande entusiasmo e sem nenhum vazamento de informa\u00e7\u00f5es por parte dos pesquisadores.<\/p><p>O caso do professor Alc\u00eddio Abra\u00e3o \u00e9 emblem\u00e1tico porque ele j\u00e1 trazia uma extensa bagagem tendo se dedicado ao estudo para obten\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o de t\u00f3rio, ur\u00e2nio e terras raras. Ele mesmo relatou ao jornal \u00d3rbita Ipen, em 2003 sobre o desenvolvimento do ciclo do combust\u00edvel nuclear.<\/p><p>&#8220;Tudo come\u00e7ou pequeno e depois foi crescendo. Projetamos e constru\u00edmos unidades para a produ\u00e7\u00e3o de diversos compostos de ur\u00e2nio, necess\u00e1rios para o processo de enriquecimento isot\u00f3pico. Fomos pioneiros no Brasil a desenvolver a complexa tecnologia do fl\u00faor, uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para conseguirmos a tecnologia de fabrica\u00e7\u00e3o do hexafluoreto de ur\u00e2nio. Repassamos todo esse conhecimento, essencial para o enriquecimento do ur\u00e2nio, para a Marinha. Geramos v\u00e1rias patentes. Pode-se escrever um belo livro sobre a hist\u00f3ria do desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico feito no Ipen. Uma verdadeira epopeia.&#8221;<\/p><p>No Brasil houve, na parte do enriquecimento, um confronto vital entre duas vis\u00f5es na abordagem de um problema em um pa\u00eds ainda em desenvolvimento. A tradicional, de recorrer ao conhecimento externo considerado superior. Uma outra abordagem \u00e9 a da \u201cengenharia reversa\u201d para reproduzir um processo\u00a0 j\u00e1 tradicional como seria o caso do\u00a0 dispendioso processo de difus\u00e3o gasosa (como tentava a Argentina naquele momento).<\/p><p>A outra abordagem, adotada pelo engenheiro Othon, foi a de reunir as melhores capacidades existentes no pa\u00eds para tentar uma solu\u00e7\u00e3o de ponta. Nesse caso, se trata de tentar competir com a tecnologia mais avan\u00e7ada existente na \u00e9poca que era a ultracentrifuga\u00e7\u00e3o com suspens\u00e3o magn\u00e9tica e, se poss\u00edvel, aperfei\u00e7o\u00e1-la.<\/p><p>O engenheiro Othon conta de onde retirou o conceito das centr\u00edfugas que foram constru\u00eddas no Brasil.<\/p><p>\u201cAs nossas ultracentr\u00edfugas foram resultado de uma palestra de segunda feira \u00e0 tarde no MIT feita por um Engenheiro da Empresa Martin Marietta e eu achei que era espetacular demais e se simplificada daria certa . Na palestra um estudante inteligente perguntou como eles iriam fabricar os mancais com piv\u00f4 ele respondeu que o assunto era muito classificado e que eles usariam mancais especiais que haviam sido desenvolvidos no Drapper Lab para a NASA . Um m\u00eas depois na revista do Drapper Lab ( que pertencia ao MIT) li que eles haviam desenvolvido mancais magn\u00e9ticos ativos para a NASA . Essa foi a pista que eu resolvi percorrer e deu certo. Vale dizer que a URENCO usa mancais magn\u00e9ticos passivos na parte superior e o piv\u00f4 na parte inferior usando \u00f3leo fomblim saturado com fl\u00faor para resistir aos res\u00edduos de fl\u00faor no hexafluoreto de ur\u00e2nio!\u201d<\/p><p>Em outro relato ele se refere a produ\u00e7\u00e3o das primeiras centr\u00edfugas que usavam como material o a\u00e7o <em>maraging.<\/em> O material inicial foi repassado para ele pelo Coronel Amarante da Aeron\u00e1utica que trabalhava com o enriquecimento a <em>laser<\/em> . Othon tamb\u00e9m conta os obst\u00e1culos para poder usinar esse material e as dificuldades de obter a m\u00e1quina para usin\u00e1-lo. Sempre que poss\u00edvel, ele buscava no mercado local alguma empresa capaz de fornecer o material requerido e quem poderia repassar para a empresa a tecnologia necess\u00e1ria:<\/p><p>\u201cPosteriormente a Eletro Etal, em Campinas, passou a produzir Maraging (liga ferro tit\u00e2nio) com ajuda do Grupo de Engenharia de Materiais formado pelo saudoso Professor S\u00e9rgio Mascarenhas na Federal de Engenharia de S\u00e3o Carlos.\u201d<\/p><p>Em continua\u00e7\u00e3o, ele revela outro importante avan\u00e7o tecnol\u00f3gico para as centr\u00edfugas;<\/p><p>\u201cMesmo evoluindo para cilindros de fibra de carbono usando resina resistente a fl\u00faor, as ultracentr\u00edfugas usam algumas pe\u00e7as de Maraging, liga muito sofisticada!!\u201d<\/p><p>A ado\u00e7\u00e3o das fibras de carbono na fabrica\u00e7\u00e3o de centr\u00edfugas foi outra conquista extraordin\u00e1ria nesse processo. Isto fez que as centr\u00edfugas usadas na unidade de enriquecimento que agora funcionam na Ind\u00fastrias Nucleares Brasileiras (INB) sejam comercialmente competitivas com as mais avan\u00e7adas do mundo.<\/p><p>A sa\u00edda do engenheiro Othon do se deu por ocasi\u00e3o de sua aposentadoria, ele chegou a ser aprovado em concurso no IPEN, mas \u00a0o projeto do submarino nuclear havia perdido prioridade dentro e fora da Marinha. Felizmente essa prioridade foi recuperada mais adiante. Honra seja feita, o projeto foi salvo por sua qualidade e pela saud\u00e1vel in\u00e9rcia institucional que impede atitudes extremas nas organiza\u00e7\u00f5es e que propiciou ao CTMSP sobreviver.<\/p><p>Isto n\u00e3o impediu uma lament\u00e1vel quebra de continuidade. Quantos avan\u00e7os poderiam ter sido alcan\u00e7ados nos dez anos que passou como consultor, nos dez anos que passou na presid\u00eancia da Eletronuclear. \u00c9 certo que isto possibilitou a outros setores desfrutarem de sua compet\u00eancia. Nada, por\u00e9m, poder\u00e1 compensar \u00a0os lament\u00e1veis \u00faltimos dez anos que amargou entre acusa\u00e7\u00f5es inconsistentes, pris\u00e3o sem condena\u00e7\u00e3o, penas arbitr\u00e1rias e desprezo de parcela da sociedade. Temos que agradecer a Academia Brasileira de Ci\u00eancias por demonstrar a ele o reconhecimento de seu m\u00e9rito.<\/p><p>Carlos Feu Alvim 12\/12\/24<\/p><p><a href=\"https:\/\/ecen.com.br\/?page_id=5516\">Ver ainda: N\u00famero especial da E&amp;E 112 sobre o almirante Othon<\/a><\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo O texto destaca a biografia e contribui\u00e7\u00f5es de Othon Luiz Pinheiro da Silva, Vice-Almirante da Marinha R1 e engenheiro reconhecido por seu trabalho significativo na ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o no Brasil, especialmente na \u00e1rea nuclear. Formado em engenharia naval e nuclear, Othon projetou navios e submarinos e liderou o desenvolvimento do ciclo de combust\u00edvel &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/ecen.com.br\/?p=5687\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Academia Brasileira de Ci\u00eancias condecora Engenheiro Othon Luiz Pinheiro da Silva&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5687"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5687"}],"version-history":[{"count":45,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5687\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5736,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5687\/revisions\/5736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}