{"id":2694,"date":"2018-10-26T17:41:16","date_gmt":"2018-10-26T19:41:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=2694"},"modified":"2019-09-18T15:49:23","modified_gmt":"2019-09-18T18:49:23","slug":"condicoes-de-contorno-para-parcerias-no-setor-nuclear-brasileiro","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ecen.com.br\/?page_id=2694","title":{"rendered":"Condi\u00e7\u00f5es de contorno para parcerias no Setor Nuclear Brasileiro"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2694\" class=\"elementor elementor-2694\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2e37ebb elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2e37ebb\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-32195e9\" data-id=\"32195e9\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-91786bd elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"91786bd\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><img src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" \/><br \/><b><strong>Economia e Energia \u2013 E&amp;E\u00a0 \u00a0<\/strong><\/b><b><strong>N\u00ba 100,\u00a0 julho a setembro de 2018<br \/><\/strong><\/b>ISSN 1518-2932<\/p><p><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Artigo:\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/strong><\/p><h1><a name=\"_Toc528074962\"><\/a><strong>CONDI\u00c7\u00d5ES DE CONTORNO PARA<br \/>PARCERIAS NO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO<\/strong><\/h1><p><em>Carlos Feu Alvim e Olga Mafra<br \/><\/em><em>feu@ecen.com e olga@ecen.com<\/em><\/p><h3><a name=\"_Toc523132354\"><\/a>Resumo<\/h3><p>A maior participa\u00e7\u00e3o do capital privado na \u00e1rea nuclear se inscreve dentro da tentativa geral de levantar os obst\u00e1culos para o desenvolvimento na \u00e1rea.<\/p><p>Como se trata de uma \u00e1rea reconhecidamente estrat\u00e9gica, por raz\u00f5es que s\u00e3o enumeradas no trabalho, tem-se que definir os limites do que \u00e9 estrat\u00e9gico e at\u00e9 onde vai a participa\u00e7\u00e3o do Estado<\/p><h3><a name=\"_Toc528074964\"><\/a><a name=\"_Toc523132355\"><\/a>Palavras Chave<\/h3><p>Angra 3, balan\u00e7o de pagamento, contas nacionais, monop\u00f3lio nuclear, parcerias,\u00a0 RMB, radiof\u00e1rmacos, setor nuclear, \u00e1rea estrat\u00e9gica.<\/p><p>_______________________________<\/p><p><em>\u00a0<\/em><\/p><p><em>\u00a0<\/em><a name=\"_Toc523132356\"><\/a><a name=\"_Toc528074965\"><\/a>1.\u00a0\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p><p>O tema Modelos de Parcerias no Setor Nuclear Brasileiro foi sugerido aos autores pelos organizadores do SIEN 2018<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[1]<\/sup><\/a> onde foi feita uma apresenta\u00e7\u00e3o a respeito. A proposta deste artigo foi abordar o assunto atrav\u00e9s das condi\u00e7\u00f5es de contorno existentes para essas parcerias no Brasil atual.<\/p><p>As parcerias surgem como uma maneira de renovar o ambiente institucional, no quadro atualmente existente no Brasil, onde existe o monop\u00f3lio estatal sobre a maior parte das atividades nucleares. Esse monop\u00f3lio pode ser, desde j\u00e1, considerado uma das condi\u00e7\u00f5es de contorno a ser discutida.<\/p><p>A considera\u00e7\u00e3o inicial que se faz \u00e9 que essa abertura a parcerias pode ser encarada positivamente como uma oportunidade de suavizar o monop\u00f3lio para mant\u00ea-lo em seus aspectos essenciais ou, negativamente, como uma forma de enfraquecer o monop\u00f3lio e at\u00e9 mesmo para eliminar o uso energ\u00e9tico nuclear no Pa\u00eds como j\u00e1 fizeram alguns pa\u00edses.<\/p><p>Parte-se aqui do princ\u00edpio de que o dom\u00ednio da tecnologia nuclear tem um car\u00e1ter estrat\u00e9gico e \u00e9 prop\u00f3sito nacional manter a atividade existente e preservar os desenvolvimentos j\u00e1 alcan\u00e7ados. Para que um pa\u00eds alcance sucesso, em qualquer atividade de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica de longo prazo, \u00e9 necess\u00e1rio uma Pol\u00edtica de Estado.<\/p><p>Na \u00e1rea nuclear, isto \u00e9 evidente porque os projetos nucleares de qualquer natureza for\u00e7osamente ultrapassam os per\u00edodos de um ou dois mandatos presidenciais. S\u00e3o exemplos a constru\u00e7\u00e3o de reatores para gera\u00e7\u00e3o de energia, constru\u00e7\u00e3o de submarinos nucleares, constru\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es de qualquer etapa do ciclo do combust\u00edvel nuclear e a constru\u00e7\u00e3o de reator de teste de materiais e produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos.<\/p><p>Uma Pol\u00edtica Nuclear precisa ter durabilidade e isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se ela for um reflexo da vontade nacional, portanto ela necessita de um consenso nacional o que significa uma aprova\u00e7\u00e3o ampla, embora n\u00e3o obrigatoriamente uma unanimidade. Um significativo progresso foi realizado, no final desse governo atrav\u00e9s do Comit\u00ea de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro &#8211; CDPNB\u00a0(Brasil, GSI\/PR, 2018) que aprovou uma Pol\u00edtica Nuclear Brasileira que esta \u00e0 espera de aprova\u00e7\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica.<\/p><p>No Brasil, a presen\u00e7a do Estado nas atividades nucleares \u00e9 indispens\u00e1vel pela pr\u00f3pria natureza dessas atividades. Tomando o caso mais evidente, seria imposs\u00edvel de se imaginar, por exemplo, transferir instala\u00e7\u00f5es de enriquecimento usando um processo de privatiza\u00e7\u00e3o por licita\u00e7\u00e3o, por mais que existam interessados.<\/p><p>N\u00e3o que isso n\u00e3o seja poss\u00edvel em outras sociedades; os EUA optaram por ter instala\u00e7\u00f5es de enriquecimento por ultra -centrifuga\u00e7\u00e3o, constru\u00eddas atrav\u00e9s de capitais externos, em seu territ\u00f3rio. L\u00e1 isto \u00e9 poss\u00edvel pelo amplo Dom\u00ednio do Estado sobre toda a atividade privada na \u00e1rea.<\/p><p>No Brasil Isto significaria transmitir para particulares uma tecnologia cujo derivativo pode estar associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma arma nuclear. No caso da venda para outros pa\u00edses isso significaria abrir m\u00e3o do esfor\u00e7o realizado para vencer dificuldades, dos mais variados tipos, para desenvolver o ciclo do combust\u00edvel nuclear. Vale lembrar que a transfer\u00eancia de tecnologia nessa \u00e1rea nos foi vetada e o esfor\u00e7o teve que ser realizado com tecnologia pr\u00f3pria.<\/p><p>Um progresso na \u00e1rea de desestatiza\u00e7\u00e3o ocorreu atrav\u00e9s da Emenda Constitucional n\u00ba 49, de 2006\u00a0(Brasil , 2016) que autorizou a iniciativa privada, sob o regime de permiss\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos de meia-vida igual ou inferior a duas horas para uso m\u00e9dico.<\/p><p>Est\u00e1 em discuss\u00e3o, entre outros assuntos, no \u00e2mbito da CDPNB a maior flexibiliza\u00e7\u00e3o da comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos de maior vida m\u00e9dia em pesquisa e usos m\u00e9dicos, agr\u00edcolas e industriais (Anexo 1).<\/p><p>Portanto, dependendo da \u00e1rea do setor nuclear em quest\u00e3o, pode haver ou n\u00e3o, interesse do Pa\u00eds em estabelecer parcerias internas ou externas com empresas ou institui\u00e7\u00f5es, publicas ou privadas, sempre que mantido o controle e supervis\u00e3o governamental.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074966\"><\/a>2.\u00a0\u00a0 O Car\u00e1ter Estrat\u00e9gico da Energia Nuclear<\/h2><p>A quest\u00e3o nuclear lida com macro-objetivos nacionais. Por essa raz\u00e3o, esse assunto \u00e9 considerado como estrat\u00e9gico no Brasil e em todos os grandes pa\u00edses do mundo sem exce\u00e7\u00e3o. Ou seja, a primeira \u201ccondi\u00e7\u00e3o de contorno\u201d da quest\u00e3o nuclear \u00e9 que este \u00e9 um assunto estreitamente ligado aos macro-objetivos nacionais.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074967\"><\/a>2.1 Macro-objetivos Nacionais Ligados ao Setor Nuclear<\/h3><p>Deve-se lembrar, primeiramente, que os objetivos que levaram ao Monop\u00f3lio Nuclear (no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60 e que aos poucos foi sendo modificado) n\u00e3o s\u00e3o mais os mesmos da \u00e9poca do estabelecimento do monop\u00f3lio. (Artigo 177 da Constitui\u00e7\u00e3o de 88 e Art. 21 Compet\u00eancia).<\/p><p>Na \u00e9poca, o Brasil ainda n\u00e3o renunciara \u00e0 posse de explosivos nucleares b\u00e9licos o que s\u00f3 veio a fazer por dispositivo constitucional de 1988. Tamb\u00e9m somente em 1992, com o Acordo Bilateral com a Argentina, os pa\u00edses renunciaram de uma forma abrangente aos explosivos nucleares, mesmo pac\u00edficos, aceitando, em seguida, atrav\u00e9s do Acordo Quadripartito, as inspe\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica em conjunto com a ABACC.<\/p><p>Por outro lado, a defesa do pa\u00eds frente a uma amea\u00e7a de agress\u00e3o nuclear segue sendo premissa de todas as na\u00e7\u00f5es, mas ela s\u00f3 se efetiva formalmente quando claramente configurada a amea\u00e7a. Defesa nuclear pr\u00f3pria ou atrav\u00e9s de aliados s\u00e3o os recursos genericamente utilizados nas regi\u00f5es onde a amea\u00e7a \u00e9 bem definida. H\u00e1 um consenso muito amplo de que nossa regi\u00e3o (Am\u00e9rica Latina e Caribe) n\u00e3o esteve nem est\u00e1 diretamente amea\u00e7ada por armas nucleares. A estrat\u00e9gia regional para manter afastada a amea\u00e7a nuclear, \u00e9 n\u00e3o desenvolver nem admitir a presen\u00e7a de armas nucleares na Zona Livre de Armas Nucleares, estabelecida pelo Tratado de Talatelolco.<\/p><p>Explicitando, Nuclear \u00e9 estrat\u00e9gico por duas raz\u00f5es principais: ser fonte de energia usada para fins de defesa e ser importante na autodetermina\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e tecnol\u00f3gica.<\/p><p>O Brasil optou por n\u00e3o desenvolver armas nucleares, mas considera necess\u00e1rio desenvolver a propuls\u00e3o nuclear e us\u00e1-la em embarca\u00e7\u00f5es militares, como o facultam todos os tratados at\u00e9 aqui firmados pelo Pa\u00eds. Acertadamente, nossa Pol\u00edtica de Defesa inclui como tecnologias estrat\u00e9gicas a nuclear, a espacial e a cibern\u00e9tica.<\/p><p>N\u00e3o se pode tamb\u00e9m esquecer que existem restri\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas em v\u00e1rias \u00e1reas, com motiva\u00e7\u00e3o alegadamente de prolifera\u00e7\u00e3o nuclear, que terminam por atingir muitas outras atividades econ\u00f4micas. Grupos como o NSG (sigla em ingl\u00eas para Grupo dos Supridores Nucleares) denominam essas tecnologias como \u201cduais\u201d e controlam o acesso a elas. A \u00fanica maneira efetiva de se livrar definitivamente dessas restri\u00e7\u00f5es \u00e9 ter essas tecnologias dispon\u00edveis no Pa\u00eds. Isso \u00e9 muitas vezes necess\u00e1rio at\u00e9 para n\u00e3o us\u00e1-la em uma atividade e adquirir os equipamentos do exterior. A autodetermina\u00e7\u00e3o exige, portanto, a posse de v\u00e1rias tecnologias nucleares ou de tecnologias a elas relacionadas.<\/p><p>As discuss\u00f5es sobre parcerias dependem do posicionamento da sociedade sobre esses itens, porque implicam em atrair capitais privados para os empreendimentos, o que pressup\u00f5e exist\u00eancia de seguran\u00e7a jur\u00eddica e institucional.<\/p><p>Pode-se assinalar as principais linhas de a\u00e7\u00e3o relacionada a tr\u00eas Macro-objetivos, assinalados nos par\u00eanteses:<\/p><p>1. Desenvolvimento Nuclear (Defesa Nacional)<\/p><ul><li>Acompanhar o desenvolvimento da tecnologia nuclear;<\/li><li>Desenvolver e construir um submarino com propuls\u00e3o nuclear;<\/li><li>Alcan\u00e7ar independ\u00eancia em todas as fases do ciclo nuclear na fabrica\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis;<\/li><li>Desenvolver o Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro, RMB para teste de materiais, produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos e para desenvolvimento cient\u00edfico;<\/li><li>Alcan\u00e7ar o dom\u00ednio de tecnologias que possam impedir outras aplica\u00e7\u00f5es pac\u00edficas.<\/li><\/ul><p>2. Gera\u00e7\u00e3o de eletricidade (Seguran\u00e7a Energ\u00e9tica e Ambiental)<\/p><ul><li>Desenvolver a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e ser capaz de participar da ind\u00fastria nuclear;<\/li><li>Terminar Angra 3 e definir um programa de centrais el\u00e9tricas para atender parte da necessidade de energia firme no Pa\u00eds e para limitar a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/li><\/ul><p>3. Maior uso de radiois\u00f3topos, sobretudo na Medicina (Seguran\u00e7a na Sa\u00fade)<\/p><ul><li>Maior disponibilidade de radiois\u00f3topos, principalmente para usos medicinais;<\/li><li>Reator Multiprop\u00f3sito.<\/li><\/ul><p>No que se refere ao Macro-objetivo de Seguran\u00e7a Institucional e Jur\u00eddica existem tamb\u00e9m provid\u00eancias a serem tomadas na \u00e1rea nuclear, no entanto, as linhas de a\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e3o definidas e devem se subordinar \u00e0 Pol\u00edtica Nacional Nuclear que foi aprovada pelo CDPNB e aguarda ser oficializada. Elas n\u00e3o envolvem diretamente o tema parcerias, mas s\u00e3o importantes para criar o ambiente adequado para que se desenvolvam.<\/p><p>Dentro desse macro-objetivo, \u00e9 importante definir uma estrutura de comando do Setor Nuclear, ligada ao mais alto n\u00edvel do Governo. A ativa\u00e7\u00e3o do CDPNB com sua Secretaria Executiva localizada no Gabinete de Seguran\u00e7a da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; GSI-PR \u00e9 parte disto. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio equacionar a fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, levando em conta as caracter\u00edsticas de cada um dos macro-objetivos. Isso j\u00e1 foi feito para o caso do submarino nuclear com cria\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia espec\u00edfica para licenciamento do submarino nuclear\u00a0(Marinha do Brasil, 2018) a Ag\u00eancia Naval de Seguran\u00e7a Nuclear e Qualidade.<\/p><p>Igualmente, para a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos, uma estrutura mais \u00e1gil e descentralizada \u00e9 necess\u00e1ria para a regula\u00e7\u00e3o. Finalmente, as fun\u00e7\u00f5es executiva e regulat\u00f3ria da CNEN devem ser feitas por entidades distintas. O licenciamento de grandes instala\u00e7\u00f5es precisa ter um processo unificado, de prefer\u00eancia de uma \u00fanica ag\u00eancia, certamente que com consulta \u00e0s demais. Atualmente, existem posi\u00e7\u00f5es divergentes das ag\u00eancias que chegam a impor exig\u00eancias contradit\u00f3rias. H\u00e1 pa\u00edses que progrediram na unifica\u00e7\u00e3o do processo decis\u00f3rio e isso \u00e9 crucial para grandes empreendimentos.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074968\"><\/a>2.2 \u00a0Nuclear sendo Estrat\u00e9gico: \u00c9 Necess\u00e1ria a Presen\u00e7a do Estado? \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/h3><p>Admitindo-se que o Setor Nuclear \u00e9 estrat\u00e9gico, ainda resta a quest\u00e3o se \u00e9 necess\u00e1rio um efetivo controle do Estado sobre suas atividades. Um forte indicador disto \u00e9 aquilo que \u00e9 feito, na maioria dos grandes pa\u00edses. Eles exercem o monop\u00f3lio sobre o Setor. Pode ser um monop\u00f3lio direto, como o da Fran\u00e7a, Coreia do Sul, R\u00fassia, China e Argentina ou um forte dom\u00ednio do Estado sobre o Setor como exercem os EUA atrav\u00e9s do Departamento de Energia e dos Laborat\u00f3rios Nacionais e o Jap\u00e3o pela simbiose existente Governo\/Ind\u00fastria. Isto para ficar nos atores importantes na ind\u00fastria nuclear mundial e em nossa vizinha Argentina, muito ativa na ind\u00fastria de reatores de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Deve-se notar que mesmo em pa\u00edses que renunciaram ao uso energ\u00e9tico nuclear na \u00e1rea civil, como a It\u00e1lia, ou est\u00e3o renunciando, como a Alemanha, a decis\u00e3o foi de Estado. Assim como o foi a decis\u00e3o de, contraditoriamente, continuar compartilhando (com os EUA, via OTAN) armas nucleares de destrui\u00e7\u00e3o em massa, estacionadas em seu territ\u00f3rio.<\/p><p>No Brasil, a decis\u00e3o pelo uso somente pac\u00edfico da energia nuclear \u00e9 uma decis\u00e3o constitucional, portanto estrat\u00e9gica, assim como o \u00e9 a de estatizar grande parte da atividade nuclear. Trata-se, portanto, de decis\u00f5es tomadas no maior n\u00edvel hier\u00e1rquico do Pa\u00eds cuja ess\u00eancia deve, em princ\u00edpio, ser mantida.<\/p><p>O que a Constitui\u00e7\u00e3o estabelece para o monop\u00f3lio \u00e9 resumido abaixo referido ao Artigo 177 da Constitui\u00e7\u00e3o de 88 sobre o Monop\u00f3lio da Uni\u00e3o e Art. 21 da Compet\u00eancia:<\/p><p>Art. 177 \u00a7 V \u201cExplorar os servi\u00e7os e instala\u00e7\u00f5es nucleares de qualquer natureza e exercer monop\u00f3lio estatal sobre: pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrializa\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de min\u00e9rios e minerais nucleares e seus derivados\u201d, com exce\u00e7\u00e3o dos radiois\u00f3topos cuja produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser autorizadas, sob-regime de permiss\u00e3o, conforme as al\u00edneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constitui\u00e7\u00e3o Federal.\u201d (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional \u2116 49, de 2006). Sob Permiss\u00e3o s\u00e3o autorizadas: Comercializa\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o de pesquisas e usos m\u00e9dicos, agr\u00edcolas e industriais de radiois\u00f3topos (de modo geral), bem como, produzir is\u00f3topos meia vida igual ou superior a 2 horas.\u00a0<\/p><p>Ao se pensar em parcerias, pensa-se, logicamente em participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada nas atividades ainda sujeitas ao monop\u00f3lio. Como ponto de partida, \u00e9 bom lembrar que o monop\u00f3lio n\u00e3o exclui automaticamente essa participa\u00e7\u00e3o. Existem v\u00e1rios exemplos hist\u00f3ricos de participa\u00e7\u00e3o de empresas, inclusive estrangeiras, em plena vig\u00eancia do monop\u00f3lio, anteriores, no entanto, \u00e0 atual formula\u00e7\u00e3o constitucional. \u00c9 preciso levar em conta que permanecem v\u00e1lidas as raz\u00f5es maiores que determinaram a atual reda\u00e7\u00e3o constitucional: o uso da energia nuclear \u00e9 para fins pac\u00edficos e objeto de decis\u00f5es de Estado. As modifica\u00e7\u00f5es, se necess\u00e1rias, devem preservar esses princ\u00edpios inscritos na Lei Magna.<\/p><p>A seguir, procura-se especificar dentro dos tr\u00eas macro objetivos identificados, porque s\u00e3o necess\u00e1rias parcerias, dando destaque \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, preocupa\u00e7\u00e3o maior do assunto parcerias no momento atual.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074969\"><\/a>2.3 Estatizar \u00e9 sempre Bom para a Autonomia Tecn\u00f3gica?<\/h3><p>Na contram\u00e3o dos que consideram que somente entidades estatais podem atuar em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, h\u00e1 o exemplo da atua\u00e7\u00e3o da Orquima S. A. da \u00e9poca de Krumholz na \u00e1rea de terras raras (de Souza Filho, et al., 2014). Nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, por meio da iniciativa privada (ORQUIMA S.A.), sob lideran\u00e7a de Pawel Krumholz, o pa\u00eds dominou o processo de extra\u00e7\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o e obten\u00e7\u00e3o de \u00f3xidos de terras raras de elevada pureza (chegando a 99,99%).<\/p><p>A empresa processava cerca de duas mil toneladas de monazita por ano, chegando, por exemplo, a fornecer Eu2O3 para a fabrica\u00e7\u00e3o de barras met\u00e1licas destinadas ao controle, por absor\u00e7\u00e3o de n\u00eautrons, do reator do primeiro submarino nuclear do mundo, o Nautilus. Em 1962, juntamente com Krumholz, o Brasil chegou a produzir cerca de 10 g de Lu2O3 de alta pureza<br \/>(&gt; 99,9%); era a maior quantidade desse composto j\u00e1 produzida no mundo.<\/p><p>Neste caso, a estatiza\u00e7\u00e3o da Orquima, atrav\u00e9s da Nuclemon (subsidi\u00e1ria da Nuclebras) n\u00e3o resultou em progresso na \u00e1rea e o Brasil passou a mero exportador de mat\u00e9ria prima deixando de produzir e exportar terras raras. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que decorreu da atividade da Orquima, um reconhecido passivo ambiental, consubstanciado na chamada &#8220;<a href=\"http:\/\/quimicanova.sbq.org.br\/detalhe_artigo.asp?id=89\">torta II<\/a>&#8221; um &#8220;rejeito&#8221; rico em t\u00f3rio, mas tamb\u00e9m contendo seus descendentes radioativos que ficou nas m\u00e3os da INB.<\/p><p>Como conclus\u00e3o, as parcerias do capital privado na energia nuclear podem ser \u00fateis na ajuda do financiamento daquelas \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o economicamente vi\u00e1veis como aconteceu com as aplica\u00e7\u00f5es de radiof\u00e1rmacos de vida curta na medicina nuclear.<\/p><p>Sobre a participa\u00e7\u00e3o do capital externo, no entanto, sempre se deve ter em conta em que medida a poss\u00edvel desnacionaliza\u00e7\u00e3o estaria na contram\u00e3o do reconhecido car\u00e1ter estrat\u00e9gico da atividade e se isso n\u00e3o fragiliza a pr\u00f3pria seguran\u00e7a energ\u00e9tica. Feita esta an\u00e1lise, n\u00e3o h\u00e1 porque se rejeitar essa participa\u00e7\u00e3o, se submetida \u00e0s raz\u00f5es de Estado.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074970\"><\/a>3.\u00a0\u00a0 As Parcerias Poss\u00edveis<\/h2><h3><a name=\"_Toc528074971\"><\/a>3.1 Parcerias no Objetivo um:<br \/>Desenvolvimento Nuclear e Submarino<\/h3><p>No Objetivo Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico e Submarino busca-se parceria com quem est\u00e1 disposto a colaborar com a fabrica\u00e7\u00e3o de submarinos, mantida a independ\u00eancia nas atividades tecnol\u00f3gicas relacionadas ao ciclo do combust\u00edvel nuclear. Conforme j\u00e1 foi citado, a transfer\u00eancias de tecnologia externa \u00e9, de modo geral, bem-vinda, mas existem limita\u00e7\u00f5es s que temos que superar com nossos pr\u00f3prios recursos.<\/p><p>No que concerne \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da parte convencional de submarinos foi criada a Itagua\u00ed Constru\u00e7\u00f5es Navais, parceria da estatal francesa <em>Naval Group<\/em> com a Odebrecht (<em>goldenshare<\/em> Marinha atrav\u00e9s de Emgepron) na constru\u00e7\u00e3o de submarinos e que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear sendo a parte nuclear de desenvolvimento pr\u00f3prio. Essa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma prova cabal de que \u00e9 poss\u00edvel uma parceria, inclusive com praticamente o total das a\u00e7\u00f5es privadas e com forte participa\u00e7\u00e3o externa\u00a0(Poder Naval, 2009).<\/p><p>A parceria interna entre o setor civil e militar deveria ser refor\u00e7ada no Pa\u00eds e \u00e9 uma oportunidade importante de desenvolvimento do ciclo do combust\u00edvel e no aproveitamento de seus <em>spin-offs<\/em>. A Parceria entre a Marinha e a CNEN foi muito prof\u00edcua no passado, com destaque na participa\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares &#8211; IPEN. Seria desej\u00e1vel que essa parceria interna do setor civil e militar fosse mantida de uma maneira institucional. O IPEN-SP disp\u00f5e j\u00e1 atualmente de toda a tecnologia para fabrica\u00e7\u00e3o de elementos combust\u00edveis tanto do reator IEAR1 como da cr\u00edtica MB01, e do Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro, mas quem disp\u00f5e da etapa de enriquecimento a 19,99% e est\u00e1 desenvolvendo a etapa de convers\u00e3o em escala semi- industrial \u00e9 o Laborat\u00f3rio de Aramar que pertence \u00e0 Marinha.<\/p><p>No projeto do Reator Multiprop\u00f3sito a cargo do IPEN\/CNEN, que ser\u00e1 localizado no munic\u00edpio de Iper\u00f3 no Estado de S\u00e3o Paulo, existem as parcerias com a INVAP, empresa Argentina, e com a Amaz\u00f4nia Azul Tecnologias de Defesa S. A. \u2013 AMAZUL. Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos, o RMB tamb\u00e9m tem como fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas a realiza\u00e7\u00e3o de testes de irradia\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis nucleares e materiais estruturais utilizados em reatores de pot\u00eancia, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas cient\u00edficas com feixes de n\u00eautrons. Para este fim ser\u00e3o necess\u00e1rias parcerias com universidades e centros de pesquisa que ora j\u00e1 se iniciam.<\/p><p>A amplia\u00e7\u00e3o da Usina de Enriquecimento Isot\u00f3pico de Ur\u00e2nio na INB, para produ\u00e7\u00e3o de material que ser\u00e1 utilizado nos reatores de potencia continua sendo feita em coopera\u00e7\u00e3o com a Marinha do Brasil e esse desenvolvimento se d\u00e1 com tecnologia aut\u00f4noma.<\/p><p>Por sua vez, as parcerias com empresas privadas para o fornecimento de componentes dos elementos combust\u00edveis devem ser facilitadas e desburocratizadas.<\/p><p>Existe a possibilidade de uma poss\u00edvel abertura no caso particular da minera\u00e7\u00e3o. Na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias e isto j\u00e1 ocorreu no passado dentro do monop\u00f3lio. A Nuclam era uma companhia mista formada na \u00e9poca com 51% da Nuclebras e 49% da Urangeselschaft, com compra de min\u00e9rio associado e compra de servi\u00e7o de minera\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio pode ser ben\u00e9fica na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o e beneficiamento de ur\u00e2nio, mantendo-se a comercializa\u00e7\u00e3o no monop\u00f3lio. Um ponto muito importante a ser considerado \u00e9 que um estoque estrat\u00e9gico para atender usinas nucleares nacionais (atuais e futuras), os reatores de pesquisa e o submarino deveria estar sob ativa supervis\u00e3o estatal.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074972\"><\/a>3.2 \u00a0Parcerias no Objetivo dois:<br \/>Constru\u00e7\u00e3o e Opera\u00e7\u00e3o de Usinas Nucleares (Gera\u00e7\u00e3o de Eletricidade)<\/h3><p>Vale lembrar que dentro do monop\u00f3lio, n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de terceiros, em uma ampla faixa de atividades, como ilustram os exemplos:<\/p><ul><li>Angra 1 praticamente \u201cchave na m\u00e3o\u201d, teve a supervis\u00e3o da NUCON (empresa do grupo Nuclebras), sendo a propriet\u00e1ria Furnas;<\/li><li>Existe a participa\u00e7\u00e3o tradicional de empresas privadas (nacionais e estrangeiras) na constru\u00e7\u00e3o, montagem e fabrica\u00e7\u00e3o de alguns componentes das usinas nucleares;<\/li><li>Durante a \u00e9poca da vig\u00eancia do Programa Nuclear com a Alemanha, empresas mistas, muitas vezes com predom\u00ednio t\u00e9cnico dos alem\u00e3es, participavam nas diversas etapas do ciclo nuclear.<\/li><\/ul><p>Outros tipos de participa\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda poss\u00edveis dentro do atual monop\u00f3lio:<\/p><ul><li>Parceria na opera\u00e7\u00e3o da NUCLEP, \u00e1rea n\u00e3o sujeita ao monop\u00f3lio;<\/li><li>Fornecimento de grandes equipamentos e servi\u00e7os;<\/li><li>Participa\u00e7\u00e3o financeira externa na Eletronuclear, sempre com car\u00e1ter acion\u00e1rio minorit\u00e1rio.<\/li><\/ul><p>Ou seja, a participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria na Eletronuclear, chave no processo de parcerias, n\u00e3o \u00e9 impedida pela Constitui\u00e7\u00e3o. No estabelecimento das condi\u00e7\u00f5es de funcionamento dessa parceria podem surgir obst\u00e1culos legais que podem vir a necessitar de ajustes legislativos e, eventualmente, modifica\u00e7\u00f5es constitucionais pontuais que preservem os princ\u00edpios nela consagrados.<\/p><p>Do ponto de vista do cumprimento dos objetivos, \u00e9 essencial que se observem tr\u00eas pontos essenciais:<\/p><ul><li>Transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica deve ser determinante na escolha do parceiro;<\/li><li>Devem ser consideradas as limita\u00e7\u00f5es de endividamento externo, essas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais importantes em \u00e1reas onde possa ser rompido o monop\u00f3lio.<\/li><\/ul><p>Sobre a quest\u00e3o do endividamento, ou de maneira mais abrangente, do passivo externo considera-se necess\u00e1rio destacar alguns pontos que ser\u00e3o abordados no item quatro. S\u00e3o quest\u00f5es fundamentais tamb\u00e9m na abordagem das privatiza\u00e7\u00f5es a defini\u00e7\u00e3o e o significado de empresas \u201cn\u00e3o residentes\u201d e \u201cresidentes\u201d.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074973\"><\/a>3.3 Parcerias no Objetivo tr\u00eas:<br \/>Uso de Radiois\u00f3topos<\/h3><p>Desde a d\u00e9cada de 60, a CNEN, por meio dos seus Institutos de Pesquisa, evoluiu dos trabalhos pioneiros feitos no IPEN, para uma verdadeira ind\u00fastria, fornecendo rotineiramente 38 produtos a muitos hospitais, cl\u00ednicas e ind\u00fastrias. Esses radiois\u00f3topos s\u00e3o tanto produzidos em reatores nucleares de pesquisa quanto em c\u00edclotrons, e essenciais ao abastecimento das atividades de aplica\u00e7\u00f5es de radiois\u00f3topos no pa\u00eds.<\/p><p>Com a flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio (Emenda Constitucional &#8211; EC, \u2116 49\/2006), que alterou dispositivos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, esse panorama foi modificado e \u00e9 crescente a presen\u00e7a de empresas privadas na \u00e1rea de aplica\u00e7\u00f5es de radiois\u00f3topos na medicina e diagn\u00f3sticos, o que mostra o acerto da medida. O setor privado teve permiss\u00e3o de investir nessa atividade (fabrica\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e uso), podendo produzir radiof\u00e1rmacos com meia-vida de at\u00e9 duas horas, como \u00e9 o caso da fluordesoxiglicose (18F-FDG), radiof\u00e1rmaco amplamente utilizado em diagn\u00f3sticos.<\/p><p>Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o dessa Emenda, o n\u00famero de c\u00edclotrons produtores do 18F-FDG e, consequentemente, a quantidade de cl\u00ednicas de medicina nuclear que os utilizam cresceram muito.<\/p><p>Na \u00e1rea de meias vidas mais longas, a comercializa\u00e7\u00e3o e uso se d\u00e3o mediante permiss\u00e3o. Deve-se considerar que a maior parte do uso de radiois\u00f3topos nessa \u00e1rea se d\u00e1 com Molibd\u00eanio importado, gerando Tecn\u00e9cio. O gerador de Tecn\u00e9cio \u00e9 feito no Brasil unicamente no IPEN, por constituir monop\u00f3lio da uni\u00e3o uma vez que seu precursor (Molibd\u00eanio-99) \u00e9 subproduto da fiss\u00e3o de \u201cmin\u00e9rio nuclear\u201d.<\/p><p>A separa\u00e7\u00e3o \u00e9 simples por passagem de um solvente, n\u00e3o deveria ser considerada \u201cfabrica\u00e7\u00e3o\u201d e poderia ser feita por empresas particulares. A limita\u00e7\u00e3o a uma maior participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada est\u00e1 vinculada \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do termo fabrica\u00e7\u00e3o que est\u00e1 inclu\u00eddo no monop\u00f3lio. O grupo de trabalho GT-3 criado pelo GSI\/PR esteve tratando do assunto j\u00e1 emitiu uma primeira proposta de a\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Deve-se assinalar que a produ\u00e7\u00e3o de Mo-99 a partir da fiss\u00e3o, envolve irradia\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio, separa\u00e7\u00e3o de produtos de fiss\u00e3o, portanto \u00e9 tecnologia sens\u00edvel, pr\u00f3xima do reprocessamento, e faz parte do monop\u00f3lio. O RMB que dever\u00e1 produzir is\u00f3topos o far\u00e1 por essa tecnologia.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074974\"><\/a>4.\u00a0\u00a0 As novas regras das Contas Nacionais e do Balan\u00e7o de Pagamentos<\/h2><p>Sem muito alarde, regras do FMI para o Balan\u00e7o de Pagamentos e mudan\u00e7as no Sistema de Contas Nacionais, capitaneadas pelo Banco Mundial (<a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=641\">E&amp;E \u2116 96<\/a>) alteraram profundamente as Contabilidades Externa e Nacional do Brasil, tendo como resultado:<\/p><p>Investimentos e reinvestimentos de empresas n\u00e3o residentes no Brasil em suas filiais passaram a fazer parte da D\u00edvida Externa do Pa\u00eds. Recentemente os investimentos diretos em fundos de renda fixa de n\u00e3o residentes, tamb\u00e9m passaram a integrar a d\u00edvida externa.<\/p><p>A produ\u00e7\u00e3o de empresas sobre controle de n\u00e3o residentes passou a ser considerada integrada ao PIB dos pa\u00edses dos acionistas residentes; isso se aplica especificamente \u00e0 eletricidade, ou seja, a eletricidade produzida no Pa\u00eds por empresa n\u00e3o residente entrar\u00e1 no rol das importa\u00e7\u00f5es se consumida no Brasil, ainda que produzida com a energia h\u00eddrica (ou nuclear) brasileira.<\/p><p>De acordo com as regras do Balan\u00e7o de Pagamentos, qualquer investimento externo realizado no pa\u00eds entra para o passivo externo brasileiro, registrado na Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos, n\u00e3o importando, se ostenta a classifica\u00e7\u00e3o de investimento de risco ou aplica\u00e7\u00e3o de capital.<\/p><p>Para quem acha que isto n\u00e3o \u00e9 importante, \u00e9 \u00fatil lembrar que foi apenas uma op\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil, o registro desse passivo como d\u00edvida externa. Isso aconteceu recentemente (2014) quando 120 bilh\u00f5es de \u201cinvestimentos diretos\u201d em renda fixa foram integrados \u00e0 d\u00edvida externa brasileira.<\/p><p>A classifica\u00e7\u00e3o de empresas, nas Contas Nacionais e Externas (normas FMI), passou a ser de Residente e N\u00e3o Residente.<\/p><p>Empresa Residente \u00e9 a empresa que t\u00eam efetivo controle de indiv\u00edduos residentes no Pa\u00eds. Est\u00e1 classifica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi inteiramente implantado e sua vig\u00eancia depender\u00e1 de mudan\u00e7as na contabilidade das empresas. Normas internacionais, implantadas no Brasil de forma praticamente autom\u00e1tica pelo <a href=\"http:\/\/www.cpc.org.br\/CPC\">Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis \u2013 CPC<\/a>, com predomin\u00e2ncia das associa\u00e7\u00f5es empresariais, se encarrega dessas mudan\u00e7as. No caso do Setor El\u00e9trico, a ANEEL, na pr\u00e1tica, simplesmente homologa o \u201cPronunciamento\u201d do CPC.<\/p><p>Como j\u00e1 assinalado, investimentos e reinvestimentos externos em empresas residentes, com participa\u00e7\u00e3o de capital de n\u00e3o residentes, s\u00e3o incorporados \u00e0 divida externa.<\/p><p>Desta forma, a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade por empresas de capital externo no Brasil ou ter\u00e1 seu <strong>investimento e reinvestimentos registrados na d\u00edvida externa<\/strong> (empresas consideradas residentes) <strong>ou ser\u00e1 classificada como produ\u00e7\u00e3o externa<\/strong> (empresa n\u00e3o residente) e considerada importada se consumida no Brasil.<\/p><p>Esse \u00e9 um fato n\u00e3o discutido atualmente no a\u00e7odado processo de privatiza\u00e7\u00e3o. Por isso, faz uma enorme diferen\u00e7a quando privatiza\u00e7\u00e3o significa uma desnacionaliza\u00e7\u00e3o, entre a venda para n\u00e3o residentes ou uma venda para residentes no Pa\u00eds.<\/p><p>A venda para n\u00e3o residentes implica em aumento imediato da d\u00edvida externa ou na desnacionaliza\u00e7\u00e3o definitiva (mudan\u00e7a de nacionalidade) do seu produto. Se isso se faz a pre\u00e7os aviltados pela crise, a consequ\u00eancia pode ser a perda definitiva das reservas naturais, sujeitando-se o Pa\u00eds a importar seus pr\u00f3prios recursos.<\/p><p>Notar ainda que <strong>a determina\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria do capital n\u00e3o se d\u00e1 mais por nacionalidade, mas, por resid\u00eancia<\/strong><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[2]<\/strong><\/a>. Portanto, n\u00e3o basta assegurar que os setores privatizados continuem em m\u00e3os de nacionais, mas assegurar que continuem em m\u00e3os de residentes no Pa\u00eds.<\/p><p>Para os que acreditaram que a d\u00edvida externa desapareceu, porque estaria anulada por nossas reservas internacionais, \u00e9 bom lembrar que existem para elas dois valores:<\/p><ul><li>O que aparece nas Notas \u00e0 Imprensa do Banco Central (comparado \u00e0s reservas) \u00e9 a d\u00edvida externa \u201csem as opera\u00e7\u00f5es intercompanhia e t\u00edtulos de Renda Fixa negociados no mercado dom\u00e9stico\u201d cujo total, em dezembro de 2017 era de <strong>321 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong>;<\/li><li>O que incorpora os valores considerados pelo FMI que consta nas planilhas anexas do pr\u00f3prio Boletim que \u00e9 mais do dobro da tradicional. Esta \u00e9 a que ser\u00e1 divulgada pelo Banco Mundial e considerada nas an\u00e1lises de risco que \u00e9 de <strong>684 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong>.<\/li><\/ul><p>A Tabela 4.1 mostra os valores da d\u00edvida externa no seu conceito tradicional e considerando os adicionais recomendados pelo FMI, indicados por um asterisco. S\u00e3o indicados ainda os percentuais do PIB envolvidos e do total das exporta\u00e7\u00f5es bem como a d\u00edvida l\u00edquida nas duas hip\u00f3teses.<\/p><p>Tabela 4.1: Componentes do Passivo e da D\u00edvida Externos<\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td width=\"196\">\u00a0Externos<\/td><td width=\"85\">US$ bilh\u00f5es<\/td><td width=\"76\">% PIB<\/td><td width=\"75\">% Export.<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">D\u00edvida Externa Bruta<br \/>(conceito tradicional)<\/td><td width=\"85\">321<\/td><td width=\"76\">18%<\/td><td width=\"75\">\u00a0<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Opera\u00e7\u00f5es Intercompanhia (*)<\/td><td width=\"85\">236<\/td><td width=\"76\">13%<\/td><td width=\"75\">112%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">T\u00edtulos de Renda Fixa detidos<br \/>por n\u00e3o residentes (*)<\/td><td width=\"85\">127<\/td><td width=\"76\">7%<\/td><td width=\"75\">60%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\"><strong>D\u00edvida Externa Bruta<br \/>(normas FMI)<\/strong><\/td><td width=\"85\"><strong>684<\/strong><\/td><td width=\"76\"><strong>38%<\/strong><\/td><td width=\"75\"><strong>326%<\/strong><\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Reserva\u00a0<\/td><td width=\"85\">386<\/td><td width=\"76\">21%<\/td><td width=\"75\">184%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">D\u00edvida Externa L\u00edquida \u201cTradicional\u201d<\/td><td width=\"85\">-65<\/td><td width=\"76\">-4%<\/td><td width=\"75\">-31%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">D\u00edvida Externa L\u00edquida<\/td><td width=\"85\">298<\/td><td width=\"76\">17%<\/td><td width=\"75\">142%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\"><strong>Passivo Bruto da PII<\/strong><\/td><td width=\"85\"><strong>1580<\/strong><\/td><td width=\"76\"><strong>88%<\/strong><\/td><td width=\"75\"><strong>752%<\/strong><\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Ativo da PII<\/td><td width=\"85\">858<\/td><td width=\"76\">48%<\/td><td width=\"75\">408%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">PII L\u00edquido<\/td><td width=\"85\">722<\/td><td width=\"76\">40%<\/td><td width=\"75\">344%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">PIB estimado<\/td><td width=\"85\">1800<\/td><td width=\"76\">100%<\/td><td width=\"75\">857%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Exporta\u00e7\u00f5es<\/td><td width=\"85\">210<\/td><td width=\"76\">12%<\/td><td width=\"75\">100%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>(*) Acr\u00e9scimos \u00e0 D\u00edvida resultantes de modifica\u00e7\u00f5es introduzidas nas Contas Nacionais<\/p><p>A Figura 4.1 mostra estes valores para 2017 e real\u00e7a o tamanho da D\u00edvida Externa com a inclus\u00e3o dos novos componentes e compara o resultado com o montante das reservas internacionais.<\/p><p>A d\u00edvida externa l\u00edquida, n\u00e3o considerando os aditivos do FMI \u00e9 negativa (321 \u2013 386 = -65 US$ bi). Na contabilidade do FMI, a d\u00edvida externa l\u00edquida brasileira \u00e9 de cerca de 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, equivalente a 17% do PIB e 142% das exporta\u00e7\u00f5es de do ano de 2017. Chama a aten\u00e7\u00e3o o valor do Passivo Bruto apurado na PII que j\u00e1 atinge a 88% do PIB e cerca de 750% do valor das exporta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 ficou demonstrado, que n\u00e3o existe barreira s\u00f3lida entre o Passivo e a D\u00edvida e n\u00e3o ser\u00e1 nenhuma surpresa que novas transfer\u00eancias se verifiquem.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig1_parceria.png\" alt=\"\" width=\"716\" height=\"440\" data-wp-pid=\"2546\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 4.1: Compara\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa e reservas ao final de 2017<\/em><br \/><em>(*) Parcelas acrescidas por recomenda\u00e7\u00e3o do FMI.<\/em><\/p><p>A Figura 4.2 mostra o processo de forma\u00e7\u00e3o do Passivo Externo Bruto, apurado pela Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos, para o final de 2017. S\u00e3o resultados da contabilidade externa do Brasil, orientada pela Sexta Edi\u00e7\u00e3o do Manual do Balan\u00e7o de Pagamentos e Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos do FMI, conhecido pela sigla em ingl\u00eas BPM6\u00a0(International Monetary Fund, 2009).<\/p><p>Aplica\u00e7\u00f5es em a\u00e7\u00f5es e outras de renda vari\u00e1vel, outros investimentos financeiros e em bens reais s\u00e3o lan\u00e7ados no passivo externo da PII. Os rendimentos auferidos realimentam o passivo quando n\u00e3o s\u00e3o remetidos ao exterior. No caso das aplica\u00e7\u00f5es de renda fixa, elas foram inicialmente lan\u00e7adas como investimento de risco e transferidas recentemente (2014) do \u201coutros passivo\u201d para a d\u00edvida externa. Os investimentos intercompanhia (matriz x filial) entram na d\u00edvida externa; os reinvestimentos tamb\u00e9m s\u00e3o nela lan\u00e7ados. Finalmente, os empr\u00e9stimos, realimentados pelos juros, formam a d\u00edvida externa tradicional.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig2_parceria.png\" alt=\"\" width=\"715\" height=\"435\" data-wp-pid=\"2547\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 4.2: Forma\u00e7\u00e3o do Passivo Externo na apura\u00e7\u00e3o da Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimento, usando a metodologia do Manual do FMI.<\/em><\/p><p>O Brasil e muitos outros pa\u00edses ditos \u201cem desenvolvimento\u201d passaram pelo trauma causado pela d\u00edvida externa dos anos oitenta, resultante de cr\u00e9ditos baratos (petrod\u00f3lares) dos anos setenta. A partir deste e outros traumas sucessivos passou-se a considerar os empr\u00e9stimos externos como causadores da d\u00edvida externa e das crises.<\/p><p>Este trauma tem certa raz\u00e3o j\u00e1 que a d\u00edvida externa \u00e9 considerada uma responsabilidade dos pa\u00edses que devem garanti-la frente aos bancos internacionais e demais fontes de financiamento. Tamb\u00e9m os credores passaram por traumas e isto motivou o FMI e o Banco Mundial a adotar o Consenso de Washington nos anos oitenta e, nos anos noventa, foram modificados, com a lideran\u00e7a dessas duas entidades, as Contas Nacionais, o Balan\u00e7o de Pagamentos e criada a contabilidade de estoques de capital que \u00e9 a Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos. V\u00e1rios mecanismos de defesa dos credores tradicionais (de empr\u00e9stimos) e dos novos credores de investimentos externos foram instalados atrav\u00e9s das modifica\u00e7\u00f5es na contabilidade que fazem parte, portanto, do P\u00f3s-Consenso de Washington (E&amp;E 96).<\/p><p>Foi por esta raz\u00e3o, que o Brasil providenciou uma reserva internacional que funciona como garantia da d\u00edvida. Por isso, \u00e9 altamente conveniente para o governo comparar nossa d\u00edvida externa com os empr\u00e9stimos de curto prazo ou com a d\u00edvida no conceito tradicional. Ao final do ano de 2017, t\u00ednhamos, neste conceito, uma d\u00edvida externa l\u00edquida negativa. Em 2010, o governo havia declarado \u00e1 popula\u00e7\u00e3o o \u201cfim da d\u00edvida externa\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[3]<\/a>. O que n\u00e3o foi esclarecido \u00e9 qual o conceito da d\u00edvida externa estava em discuss\u00e3o.<\/p><p>Foi vendida aos pa\u00edses em desenvolvimento, dentro do p\u00f3s-Conse\u00e7nso de Washington a ideia que eles deviam se abrir aos investimentos externos, considerados como fator de progresso o que n\u00e3o afetariam a d\u00edvida externa. Essa \u00e1 ainda a linguagem usada nos pa\u00edses perif\u00e9ricos para uso interno quando se quer justificar a abertura a investimentos externos. Por essa raz\u00e3o, segue sendo conveniente a ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o ao montante da d\u00edvida externa.<\/p><p>O que a contabilidade externa do FMI, adotada pelo Brasil, mostra agora \u00e9 uma vis\u00e3o que tem um vi\u00e9s do que \u00e9 conveniente para os pa\u00edses credores, mas ao mesmo tempo, \u00e9 realista quando assinala a press\u00e3o exercida pelo Passivo Externo sobre as economias receptadoras do capital. Essa press\u00e3o cria uma depend\u00eancia que amea\u00e7a essas economias, mas ainda n\u00e3o foi incorporada nas discuss\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p><p>A d\u00edvida externa tradicional \u00e9 apenas a ponta do <em>iceberg<\/em> e as duas dimens\u00f5es da d\u00edvida externa j\u00e1 foram temas da presente campanha eleitoral, com contesta\u00e7\u00f5es sobre se ela havia desaparecido ou n\u00e3o em 2010.<\/p><p>O Passivo Externo Bruto no final de 2017 j\u00e1 era 88% do PIB e 752% de nossas exporta\u00e7\u00f5es anuais. Cada vez que vendemos nossas empresas ou jazidas para os n\u00e3o residentes, o passivo externo aumenta e, na melhor das hip\u00f3teses, tamb\u00e9m aumenta a d\u00edvida externa. Na pior, a jazida e o PIB futuro a ela associado deixam de ser nossos.<\/p><p>O FMI est\u00e1 nos prevenindo disto.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074975\"><\/a>5.\u00a0\u00a0 A Possibilidade de Autofinanciamento de Angra 3<\/h2><p>A tarifa de 2018 para Angra 1 e 2 \u00e9 240,8 R$\/MW com uma gera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 1572 MW que corresponde a 3,31 R$ bi por ano. Se aplicada a tarifa que se espera conseguir para Angra 3 (suposta 400 R$\/MWh) para Angra 1 e 2 e se isto constitu\u00edsse um fundo espec\u00edfico ter-se-ia um adicional de cerca de 2,2 bilh\u00f5es de reais por ano que seriam praticamente suficientes para terminar Angra 3 em 6 anos.<\/p><p>Pode-se ainda pensar em uma tarifa comum para a energia nuclear que poderia ser um pouco menor que essa e com isso haveria condi\u00e7\u00f5es para financiar parte de Angra 3 e facilidades para cr\u00e9ditos adicionais.<\/p><p>Como isso pode ser criado como fundo, nele n\u00e3o incidiriam praticamente taxas e o Pa\u00eds estaria\u00a0 livre de juros sobre a nova parte.<\/p><p>Isso significaria um aumento de 67% sobre 2,5% da produ\u00e7\u00e3o de eletricidade ou 1,67% sobre o custo total de produ\u00e7\u00e3o e menos de 1% sobre a tarifa do consumidor (s\u00f3 seria afetado o custo sem impostos).<\/p><p>\u00c9 claro que seria necess\u00e1rio aprofundar as avalia\u00e7\u00f5es e encontrar o caminho legal para chegar a esta decis\u00e3o e trabalhar junto \u00e0 sociedade para a aceita\u00e7\u00e3o da energia nuclear como estrat\u00e9gica e levar em conta suas contribui\u00e7\u00f5es (energia limpa) para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e a estabilidade do Sistema.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074976\"><\/a>6.\u00a0\u00a0 Conclus\u00e3o<\/h2><p>Como conclus\u00e3o, as parcerias do capital privado na energia nuclear podem ser \u00fateis na ajuda do financiamento daquelas \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o economicamente vi\u00e1veis como aconteceu com as aplica\u00e7\u00f5es de radiof\u00e1rmacos de vida curta na medicina nuclear.<\/p><p>Ao se fazer parceria de uma \u00e1rea espec\u00edfica com a participa\u00e7\u00e3o de capital externo, deve-se ter em conta se isso n\u00e3o est\u00e1 na contram\u00e3o de seu reconhecido car\u00e1ter estrat\u00e9gico e se n\u00e3o fragiliza a pr\u00f3pria seguran\u00e7a energ\u00e9tica ou o dom\u00ednio do ciclo do combust\u00edvel nuclear. Tamb\u00e9m devem ser levadas em conta as limita\u00e7\u00f5es provocadas pelo endividamento externo.<\/p><p>No caso da participa\u00e7\u00e3o externa, a meta principal seria obter a tecnologia e capacitar a ind\u00fastria nacional em troca da participa\u00e7\u00e3o do parceiro no mercado interno. Para estar em melhores condi\u00e7\u00f5es de barganha \u00e9 preciso contar com o capital interno, ainda que parcialmente.<\/p><p>_______________________<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Anexo 1: Comit\u00ea de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro \u2013 CDPNB<\/strong><\/p><p>O Comit\u00ea de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB) foi criado pelo Decreto de 2 de julho de 2008 e alterado pelo Decreto de 22 de junho de 2017. O CDPNB \u00e9 coordenado pelo GSI\/PR e tem como miss\u00e3o assessorar diretamente o Chefe do Poder Executivo, por meio de um colegiado de alto n\u00edvel, no estabelecimento de diretrizes e metas para o desenvolvimento e acompanhamento do Programa Nuclear Brasileiro, a fim de contribuir para o desenvolvimento nacional e para a promo\u00e7\u00e3o do bem estar da Sociedade Brasileira.<\/p><p>Na primeira reuni\u00e3o plen\u00e1ria do CDPNB nesta nova fase, dia 18 de outubro de 2017, al\u00e9m do Regimento Interno foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o de quatro grupos t\u00e9cnicos, para tratar de temas relevantes para o setor nuclear brasileiro:<\/p><ul><li>GT-1: elaborar a proposta de Pol\u00edtica Nuclear Brasileira \u2013 Coordenado pelo GSI;<\/li><li>GT-2: analisar a conveni\u00eancia da flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da Uni\u00e3o na pesquisa e na lavra de min\u00e9rios nucleares \u2013 Coordenado pelo MME;<\/li><li>GT-3: analisar a conveni\u00eancia de ampliar a flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da Uni\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de radiof\u00e1rmacos \u2013 Coordenado pelo MCTIC e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade;<\/li><li>GT-4: propor termo de coopera\u00e7\u00e3o entre as partes envolvidas no desenvolvimento e opera\u00e7\u00e3o do Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro (RMB) \u2013 Coordenado pelo MCTIC.<\/li><\/ul><p>Outros Grupos T\u00e9cnicos est\u00e3o organizados ou em organiza\u00e7\u00e3o para atender outras \u00e1reas espec\u00edficas, mas n\u00e3o tiveram ainda sua constitui\u00e7\u00e3o divulgada oficialmente.<\/p><p>__________________<\/p><p><strong>Notas:<\/strong><\/p><p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[1]<\/a> Semin\u00e1rio Internacional de Energia Nuclear, realizado no Rio de Janeiro entre 25 e 26 de julho de 2018 no Espa\u00e7o Furnas.<\/p><p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[2]<\/a> Se os irm\u00e3os Batista da Free Boi houvessem decidido por fixar resid\u00eancia nos EUA, como aparentemente tentaram, boa parte da carne brasileira poderia passar a ser americana.<\/p><p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[3]<\/a> Em Julho de 2007 o site das Organiza\u00e7\u00f5es Globo anunciava (sempre procurando assinalar o vi\u00e9s negativo ) \u201cD\u00edvida externa brasileira sobe para US$ 225 bilh\u00f5es em junho,\u00a0 para colocar na segunda manchete: Em maio, o BC estimava a d\u00edvida em US$ 218,329 bilh\u00f5es.\u00a0 Reservas internacionais cresceram e atingiram US$ 253 bilh\u00f5es. http:\/\/g1.globo.com\/economia-e-negocios\/noticia\/2010\/07\/divida-externa-brasileira-sobe-para-us-225-bilhoes-em-junho.html<\/p><h1><a name=\"_Toc528074977\"><\/a>Bibliografia<\/h1><p><strong>Brasil . 2016.<\/strong> Emenda Constitucional n\u00ba 49 de 08\/02\/2016. <em>Presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; Casa Civil. <\/em>[Online] 08 de fev de 2016. http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc49.htm.<\/p><p><strong>Brasil, GSI\/PR. 2018.<\/strong> Resolu\u00e7\u00e3o GSI\/PR n\u00ba 2, de 11.01.2018. <em>MCTIC. <\/em>[Online] 11 de janeiro de 2018. http:\/\/www.mctic.gov.br\/mctic\/opencms\/legislacao\/outros_atos\/resolucoes\/Resolucao_GSI_PR_n_2_de_11012018.html.<\/p><p><strong>de Souza Filho, Paulo C. e Serra, Osvaldo A. 2014.<\/strong> TERRAS RARAS NO BRASIL: HIST\u00d3RICO, PRODU\u00c7\u00c3O E PERSPECTIVAS. <em>Quim. Nova. <\/em>2014, Vol. 37, N\u00ba 4, pp. 753-760.<\/p><p><strong>International Monetary Fund. 2009.<\/strong> <em>Balance of payments and international investment position manua- 6th ed. <\/em>Washingon D.C.\u00a0: IMF Multimedia Services Division, 2009. ISBN 978-1-58906-812-4.<\/p><p><strong>Marinha do Brasil. 2018.<\/strong> Marinha do Brasil cria a Ag\u00eancia Naval de Seguran\u00e7a Nuclear e Qualidade. <em>Portal Orbis Defense. <\/em>[Online] 09 de fev de 2018. https:\/\/www.marinha.mil.br\/sinopse\/marinha-do-brasil-cria-agencia-naval-de-seguranca-nuclear-e-qualidade.<\/p><p><strong>Poder Naval. 2009.<\/strong> Itagua\u00ed Constru\u00e7\u00f5es Navais. Odebrecht fica com 59% do capital. <em>Poder Naval. <\/em>[Online] 10 de set de 2009. https:\/\/www.naval.com.br\/blog\/2009\/09\/10\/itaguai-construcoes-navais-odebrecht-fica-com-59-do-capital\/.<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p>______________________________<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-479f0e3 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"479f0e3\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ada3108\" data-id=\"ada3108\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5a920b7 elementor-arrows-position-inside elementor-pagination-position-outside elementor-widget elementor-widget-image-carousel\" data-id=\"5a920b7\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;slides_to_show&quot;:&quot;1&quot;,&quot;pause_on_hover&quot;:&quot;no&quot;,&quot;navigation&quot;:&quot;both&quot;,&quot;autoplay&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;pause_on_interaction&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;autoplay_speed&quot;:5000,&quot;infinite&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;effect&quot;:&quot;slide&quot;,&quot;speed&quot;:500}\" data-widget_type=\"image-carousel.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-image-carousel-wrapper swiper-container\" dir=\"ltr\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-image-carousel swiper-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/capas_eee100emA5_001-e1543003021653.png\" alt=\"capas_eee100emA5_001\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/natura-bmp-A5-722x1024.bmp\" alt=\"natura bmp A5\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ultra-bmp-A5-722x1024.bmp\" alt=\"ultra bmp A5\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ecem-bmp-A5-1-722x1024.bmp\" alt=\"ecem bmp A5\" \/><\/figure><\/div>\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"swiper-pagination\"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-swiper-button elementor-swiper-button-prev\">\n\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"eicon-chevron-left\"><\/i>\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-screen-only\">Anterior<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-swiper-button elementor-swiper-button-next\">\n\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"eicon-chevron-right\"><\/i>\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-screen-only\">Pr\u00f3ximo<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia e Energia \u2013 E&amp;E&nbsp; &nbsp;N\u00ba 100,&nbsp; julho a setembro de 2018 ISSN 1518-2932 Artigo:&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONDI\u00c7\u00d5ES DE CONTORNO PARA PARCERIAS NO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO Carlos Feu Alvim e Olga Mafra feu@ecen.com e olga@ecen.com Resumo A maior participa\u00e7\u00e3o do capital privado na \u00e1rea nuclear se inscreve dentro da tentativa geral de levantar os obst\u00e1culos para o &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/ecen.com.br\/?page_id=2694\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Condi\u00e7\u00f5es de contorno para parcerias no Setor Nuclear Brasileiro&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":2624,"menu_order":3,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2694"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2694"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4118,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2694\/revisions\/4118"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}