{"id":2534,"date":"2018-10-01T23:44:47","date_gmt":"2018-10-02T02:44:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?p=2534"},"modified":"2018-10-26T00:04:39","modified_gmt":"2018-10-26T02:04:39","slug":"efeito-estufa-duvidas-sobre-o-papel-do-metano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ecen.com.br\/?p=2534","title":{"rendered":"Efeito Estufa: D\u00favidas sobre o Papel do Metano"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2534\" class=\"elementor elementor-2534 elementor-bc-flex-widget\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-5f57ade elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"5f57ade\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3ac4bf4\" data-id=\"3ac4bf4\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3b2c3c4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3b2c3c4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><em>Artigo:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p><h1><a name=\"_Toc528074954\"><\/a><strong>EFEITO ESTUFA: PERSISTEM D\u00daVIDAS SOBRE O PAPEL DO METANO<\/strong><\/h1><p style=\"text-align: right;\"><em>Carlos Feu Alvim e Olga Mafra<br \/>\u00a0 <\/em><a href=\"mailto:carlos.feu@ecen.com\"><em>carlos.feu@ecen.com<\/em><\/a><em>, olga@ecen.com<\/em><\/p><h3><a name=\"_Toc528074955\"><\/a>Resumo<\/h3><p>Os teores do g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) e do metano (CH4) na atmosfera est\u00e3o acima dos recordes hist\u00f3ricos e pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Ao contr\u00e1rio do g\u00e1s carb\u00f4nico, entretanto, o crescimento do metano mostra sinais de desacelera\u00e7\u00e3o desde os anos setenta. Por ser uma subst\u00e2ncia basicamente exot\u00e9rmica (libera energia quando \u00e9 oxidado) o metano tem menor vida m\u00e9dia que o CO2. Enquanto a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico continua no processo regular de crescimento de sua concentra\u00e7\u00e3o na atmosfera, o metano mostra um comportamento hist\u00f3rico de estabiliza\u00e7\u00e3o, examinado com a modelagem log\u00edstica de Volterra, aplicada extensamente por Cesare Marchetti e Jos\u00e9 Israel Vargas.<\/p><p>Doze anos ap\u00f3s a primeira an\u00e1lise aqui publicada (2006), a concentra\u00e7\u00e3o de metano continua seguindo a rota prevista (E&amp;E \u2116 55), ao contr\u00e1rio do que indicava a maioria dos modelos adotados na \u00e9poca pelo IPCC. Durante quase uma d\u00e9cada, a concentra\u00e7\u00e3o de metano praticamente estacionou.<\/p><p>Ao inv\u00e9s de se focar no comportamento inesperado da concentra\u00e7\u00e3o de metano, a discuss\u00e3o sobre o assunto tem se concentrado na equival\u00eancia a ser usada com o g\u00e1s carb\u00f4nico. A diverg\u00eancia entre os coeficientes de equival\u00eancia entre o metano e o CO2, apresenta um fator pr\u00f3ximo a dez.<\/p><p>Tudo isto indica que a incerteza cient\u00edfica sobre o comportamento do metano aconselha prud\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o de investimentos para reduzir sua emiss\u00e3o. Prop\u00f5e-se limitar as medida \u00e0quelas que forem justific\u00e1veis, usando-se o \u00edndice GTP (<em>Global Temperature Change Potential<\/em>).<\/p><h3><a name=\"_Toc528074956\"><\/a>Palavras Chave<\/h3><p>Metano, gases de efeito estufa, GWP, GTP, modelagem log\u00edstica.<\/p><p>________________________________<\/p><h2><a name=\"_Toc528074957\"><\/a>1.\u00a0\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2><p>A mitiga\u00e7\u00e3o de metano (CH4) tem sido um dos principais alvos de medidas incentivadas visando a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. Este g\u00e1s, se coletado na origem e suficientemente concentrado, \u00e9 inflam\u00e1vel e sua energia aproveit\u00e1vel. O protocolo de Kyoto estabeleceu uma equival\u00eancia de 21, relativa \u00e0 igual massa de CO2. Nas orienta\u00e7\u00f5es do IPCC para as declara\u00e7\u00f5es nacionais este valor vem crescendo, chegando a 28, no valor adotado no Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o 5 \u2013 AR5 do IPCC.<\/p><p>Dois fatos t\u00eam, no entanto, colocado em d\u00favida a validade da mitiga\u00e7\u00e3o do efeito estufa no que \u00e9 atribu\u00eddo ao metano. O primeiro deles, \u00e9 que o coeficiente usado n\u00e3o leva em conta o efeito dele esperado sobre a temperatura, que \u00e9 o objetivo primordial da mitiga\u00e7\u00e3o. De fato, quando levado em conta, o coeficiente cai de 28 para 4. O segundo fato, \u00e9 que a concentra\u00e7\u00e3o do metano n\u00e3o est\u00e1 crescendo como previsto, supondo-se mesmo que j\u00e1 poderia estar sobre controle da Natureza.<\/p><p>Com efeito, a maioria das proje\u00e7\u00f5es para o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de metano, usadas no Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC (TAR), falhou redondamente na previs\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o futura de metano na atmosfera nas duas d\u00e9cadas seguintes.<\/p><p>Sobre este assunto, foi mostrado na revista E&amp;E \u2116 55 que um tratamento estat\u00edstico dos dados da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera j\u00e1 apresentava sinais de desacelera\u00e7\u00e3o desde os anos setenta e que sua tend\u00eancia indicava uma satura\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a 2 ppm<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a> ou 2000 ppb, que \u00e9 a unidade usual para medida deste g\u00e1s na atmosfera. Na primeira d\u00e9cada desde s\u00e9culo, a quantidade de metano apresentou-se praticamente est\u00e1vel. Isto levou a comunidade de cientistas que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ao IPCC a investigar seriamente a causa desse fen\u00f4meno inesperado, que ocorreu justamente nos anos posteriores \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio que havia procurado refor\u00e7ar, frente \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, a certeza sobre a realidade do efeito estufa. Do ponto de vista pol\u00edtico, n\u00e3o houve cr\u00edticas exacerbadas sobre o erro das proje\u00e7\u00f5es. Na verdade, houve um sil\u00eancio respeitoso. Nos programas de mitiga\u00e7\u00e3o o metano continuou desfrutando do coeficiente que o tornava atraente em projetos como os do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo &#8211; MDL.<\/p><p>Nos primeiros anos desta d\u00e9cada, constatou-se uma ligeira retomada no crescimento do metano que tem sido bastante real\u00e7ada, sobretudo, em artigos que comparam o comportamento citado nas duas d\u00e9cadas. Embora real, esta an\u00e1lise \u00e9 claramente tendenciosa quando se limita a comparar s\u00f3 duas d\u00e9cadas.<\/p><p>Este artigo examina estes dois assuntos. Foram constatadas in\u00fameras incertezas sobre a concentra\u00e7\u00e3o de metano e sua equival\u00eancia ao CO2 para fins de efeito estufa. Face a essas incertezas, prop\u00f5e-se que as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de metano, principalmente as que exigem maior concentra\u00e7\u00e3o de recursos e que mais onerem a produ\u00e7\u00e3o devem ser submetidas \u00e0 criteriosa an\u00e1lise de custo-benef\u00edcio. Devem-se limitar as a\u00e7\u00f5es incentivadas aos projetos vi\u00e1veis, em termos da equival\u00eancia que tomam por base o efeito estimado sobre a temperatura global.<\/p><p>No Brasil, o metano \u00e9 respons\u00e1vel por pelo menos 36% dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e por 32% dos resultados, de acordo com o Segundo Relat\u00f3rio de Atualiza\u00e7\u00e3o Bienal do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o &#8211; Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u00a0(Brasil MRE\/MCTIC, 2017).<\/p><p>Deve-se lembrar que as medidas de conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa (mitiga\u00e7\u00e3o) exigem consider\u00e1veis investimentos cujo sacrif\u00edcio \u00e9 tanto maior quando o pa\u00eds \u00e9 ainda de baixa renda m\u00e9dia, agravada por uma m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do Brasil.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074958\"><\/a>2.\u00a0\u00a0 Mais uma vez, o Comportamento Hist\u00f3rico da Concentra\u00e7\u00e3o de Metano na Atmosfera.<\/h2><p>O metano no Brasil \u00e9 o g\u00e1s considerado como o de maior contribui\u00e7\u00e3o para as emiss\u00f5es brasileiras, quando se excluem as emiss\u00f5es do uso da terra. \u00a0<\/p><p>Em 2006, na edi\u00e7\u00e3o de \u2116 55\u00a0(Feu Alvim, et al., 2006) desta revista usou-se essa mesma metodologia que j\u00e1 foi bastante testada para projetar vari\u00e1veis de comportamento complexo como \u00e9 o teor de metano na atmosfera terrestre. No caso do metano, existe uma raz\u00e3o a mais para aplicar a metodologia porque, na explica\u00e7\u00e3o mais simples, ainda correntemente adotada, este g\u00e1s desaparece com uma vida m\u00e9dia de 12 anos e a elimina\u00e7\u00e3o do metano na atmosfera seria proporcional a sua concentra\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[2]<\/sup><\/a><sub>. <\/sub>Na revista <a href=\"http:\/\/ecen.com\/eee65\/eee65p\/revisitando%20a%20concentracao%20do%20metano%20na%20atmosfera.htm\">E&amp;E N\u00b0 65<\/a> as previs\u00f5es j\u00e1 sofreram uma \u201crevisita\u201d, onde foi real\u00e7ada a diverg\u00eancia entre as previs\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano e as proje\u00e7\u00f5es correntes. Na maioria dos modelos avaliados pelo IPCC, a vida m\u00e9dia do metano seria aumentada pela redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de OH na atmosfera o que n\u00e3o ocorreu.<\/p><p>Fazendo uma digress\u00e3o a respeito: Previs\u00f5es de longo prazo s\u00e3o as mais confort\u00e1veis de se fazer porque dificilmente s\u00e3o cobradas de seus autores. Nesse caso, os autores t\u00eam a oportunidade de, 12 anos ap\u00f3s a primeira publica\u00e7\u00e3o, voltar ao assunto, certamente motivados pelo acerto e, com o est\u00edmulo extra, das falhas nas previs\u00f5es do grande consenso cient\u00edfico representado pelo IPCC.<\/p><p>As proje\u00e7\u00f5es anteriormente apresentadas basearam-se nos dados de 1900 a 1996 mostrados na Figura 1.<\/p><p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig1_metano.png\" alt=\"\" width=\"713\" height=\"450\" data-wp-pid=\"2537\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 1: Valores da concentra\u00e7\u00e3o de metano na regi\u00e3o do Polo Sul, baseados em amostras de gelo datadas e em medidas atmosf\u00e9ricas modernas e respectivos ajustes.<\/em><\/p><p>O que se observa neste gr\u00e1fico \u00e9 que a varia\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera vem subindo ao longo do tempo. A Figura se concentra nos anos posteriores a 1940. Na an\u00e1lise anterior foi mostrado que concentra\u00e7\u00e3o passou de cerca de 850 ppb (partes por bilh\u00e3o em massa) em 1900 e atingiu cerca de 1700 ppb em meados da d\u00e9cada de noventa. Os mesmos dados permitem obter a varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual que teriam passado por um m\u00e1ximo na d\u00e9cada de setenta. A linha de cor magenta, representa a varia\u00e7\u00e3o anual da concentra\u00e7\u00e3o (geralmente acr\u00e9scimo e assim denominada no gr\u00e1fico) e \u00e9 lida na escala \u00e0 direita. Os dados dispon\u00edveis atingiam um per\u00edodo muito mais longo, mas o comportamento dos acr\u00e9scimos sugeria concentrar a an\u00e1lise nos dados a partir de 1940 que apresentam uma din\u00e2mica diferente dos anos anteriores. Nas atividades humanas, supostas causadoras do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de metano, a Segunda Guerra Mundial e o desenvolvimento do p\u00f3s-guerra s\u00e3o, seguramente, marcos importante para demarcar o per\u00edodo da an\u00e1lise.<\/p><p>Os valores em magenta na Figura 1 (varia\u00e7\u00f5es anuais da concentra\u00e7\u00e3o) servem para determinar o ponto de inflex\u00e3o da curva de concentra\u00e7\u00f5es (ano de 1975) e para estimar a concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima a ser atingida (1890 ppb).<\/p><p>A representa\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o acumulada (a partir de 1940) na escala Fisher-Pry, mostrada na Figura 2, permitiu o ajuste dos dados existentes por uma reta cuja extrapola\u00e7\u00e3o serve para projetar os valores futuros, mostrados na Figura 1 tanto para a curva de acr\u00e9scimos como para a integral.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig2_metano.png\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"452\" data-wp-pid=\"2538\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 2: Ajuste da Curva Fisher-Pry aos valores da concentra\u00e7\u00e3o de Metano na Atmosfera.<\/em><\/p><p>Nesta representa\u00e7\u00e3o usa-se o tempo como vari\u00e1vel na horizontal, e, na vertical log[f\/(1-f)]. Nesse caso, definiu-se o valor de base como sendo 954 ppb que \u00e9 a m\u00e9dia dos anos anteriores a 1940 da amostra (1900 a 1938). O valor de f \u00e9 o valor do ano, subtra\u00eddo da base, dividido pelo valor m\u00e1ximo, tamb\u00e9m subtra\u00eddo da base. Esse ajuste, em escala natural, foi tamb\u00e9m representado nos dados de concentra\u00e7\u00e3o mostrados na Figura 1.<\/p><p>Resumindo, baseando-se no comportamento hist\u00f3rico da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera at\u00e9 1996, uma curva log\u00edstica (E&amp;E 55) foi ajustada aos dados. Pelo ajuste, a concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera se estabilizaria bo n\u00edvel de 1890 ppb. Tal mudan\u00e7a ocorreria em um tempo de 69 anos entre o in\u00edcio do processo (10%) a sua satura\u00e7\u00e3o (90%). Havendo o atual ciclo se iniciado em 1940, haveria atingido um valor pr\u00f3ximo \u00e0 satura\u00e7\u00e3o em 2010.\u00a0 Os detalhes desta metodologia de ajuste est\u00e3o na refer\u00eancia E&amp;E 55.<\/p><p>Os valores, projetados naquela ocasi\u00e3o, podem hoje ser confrontados com os valores reais verificados ao longo de mais de 20 anos. Isto \u00e9 feito na Figura 3 com dados m\u00e9dios na atmosfera terrestre. Para comparar os dados m\u00e9dios \u00e9 preciso levar em conta a diferen\u00e7a, verificada nas amostras ao longo dos s\u00e9culos, na concentra\u00e7\u00e3o de metano entre o polo Sul e a m\u00e9dia mundial que continua existindo nas medidas atuais.<\/p><p>Para compara\u00e7\u00e3o, os dados do Polo Sul e os dados m\u00e9dios para o mundo foram renormalizados para a m\u00e9dia dos anos 1994 e 1995 para as duas s\u00e9ries de medidas. Encontrou-se um valor de renormaliza\u00e7\u00e3o de 67 ppb que foi subtra\u00eddo dos valores m\u00e9dios mundiais para comparar com o comportamento indicado. Esta diferen\u00e7a \u00e9 cerca de 4% da concentra\u00e7\u00e3o do Polo Sul. Os resultados s\u00e3o mostrados na Figura 3.<\/p><p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig3_metano.png\" alt=\"\" width=\"721\" height=\"451\" data-wp-pid=\"2548\" \/><\/p><p>Figura 3: Comportamento das concentra\u00e7\u00f5es de metano na atmosfera no Polo Sul; proje\u00e7\u00f5es do ajuste e compara\u00e7\u00e3o com o comportamento de dados dispon\u00edveis at\u00e9 1996 com os novos dados at\u00e9 2017.<\/p><p>Um atrativo ao estudo dessa quest\u00e3o dos gases de efeito estufa \u00e9 que as medidas realizadas para compreender sua emiss\u00e3o e dispers\u00e3o propuseram desafios, que est\u00e3o provocando interessante atividade de pesquisa com coleta de dados e sua an\u00e1lise por diferentes grupos. Para algumas quest\u00f5es, ainda n\u00e3o existem explica\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias e, para outras, existem explica\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias.<\/p><p>\u00c9 o caso da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera nas diferentes latitudes no globo como tamb\u00e9m sua varia\u00e7\u00e3o desde a superf\u00edcie at\u00e9 as altas camadas da atmosfera. A emiss\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o do metano obedecem a v\u00e1rios processos e os modelos existentes tem se revelado imprecisos no m\u00e9dio prazo para explicar o comportamento de sua concentra\u00e7\u00e3o.<\/p><p>De acordo com a literatura, a vida m\u00e9dia do metano n\u00e3o seria constante. Por ocasi\u00e3o da Publica\u00e7\u00e3o do TAR Base Cient\u00edfica\u00a0(IPCC, 2001) (cap. 4, fig. 4.14 pag. 276 vers\u00e3o inglesa), havia modelos prevendo sua queda ao longo deste s\u00e9culo e a maioria prognosticando seu aumento em virtude da redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de OH provocada pela pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o com o metano, da varia\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio (O3) e de mon\u00f3xido de carbono (CO) na atmosfera, que tamb\u00e9m interferem na absor\u00e7\u00e3o de metano.<\/p><p>Um balan\u00e7o equilibrado do metano \u00e9 mostrado na Tabela 1 (Weele, 2006) podendo-se ver a diversidade de processos de emiss\u00e3o tanto naturais como associados \u00e0 atividade humana e sua absor\u00e7\u00e3o dominada pela presen\u00e7a de OH na troposfera. \u00c9 assinalada a d\u00favida existente sobre o papel das florestas na emiss\u00e3o de metano.<\/p><p>Tabela 1: Fontes Antropog\u00eanicas, Naturais e Absorventes do CH4<\/p><table><tbody><tr><td width=\"158\"><p>Fontes Antropog\u00eanicas<br \/>(em Tg\/ano)<\/p><\/td><td width=\"123\"><p>Fontes\u00a0\u00a0Naturais<br \/>(em Tg\/ano)<\/p><\/td><td width=\"132\"><p>Absorventes<br \/><span style=\"font-family: inherit; font-size: inherit;\">(em Tg\/ano)<\/span><\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"158\"><p>Fosseis\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0102<br \/><span style=\"font-family: inherit; font-size: inherit;\">(carv\u00e3o\/petr\u00f3leo\/g\u00e1s)<\/span><\/p><p>Planta\u00e7\u00f5es de Arroz\u00a0 80<\/p><p>Queimadas\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a045<\/p><p>Animais\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 98<\/p><p>Lixo\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 70<\/p><\/td><td width=\"123\"><p>P\u00e2ntanos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 145<\/p><p>Termitas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 20<\/p><p>Oceanos\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a015 Geol\u00f3gicas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 18<\/p><p>Plantas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ?<\/p><\/td><td width=\"132\"><p>OH\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0523<br \/>Troposf\u00e9rico<\/p><p>Solos\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a030<\/p><p>Estratosfera\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a040<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"158\">Totais\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 395<\/td><td width=\"123\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 198<\/td><td width=\"132\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 593<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>As proje\u00e7\u00f5es para o Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (TAR) do IPCC, feitas pelos t\u00e9cnicos que assessoram o IPCC, resultaram inteiramente dissonantes do verificado nos \u00faltimos anos, mesmo tendo sido feitas com dados posteriores aos utilizados pela revista E&amp;E.<\/p><p>A grande maioria dos cen\u00e1rios considerados no Terceiro Relat\u00f3rio de Assessoramento \u2013 TAR (IPCC, 2001) apontava, para os anos seguintes ao da sua publica\u00e7\u00e3o (2001), crescimento significativo da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera, ilustrado na Figura 4.<\/p><p>Os diferentes cen\u00e1rios do IPCC para o TAR representam hip\u00f3teses de evolu\u00e7\u00e3o sem quaisquer medidas de mitiga\u00e7\u00e3o. Desses cen\u00e1rios <em>(Special Report on Emissions Scenarios &#8211; SRES<\/em>)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a>, s\u00f3 um cen\u00e1rio (B1), previa a revers\u00e3o do crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de metano. Esta revers\u00e3o s\u00f3 seria alcan\u00e7ada, no entanto, por volta de 2030.<\/p><p>A Figura 4 compara os diferentes cen\u00e1rios do IPCC com o ajuste do artigo da E&amp;E de 2006 e mostra que os resultados eram bastante diferentes. A confronta\u00e7\u00e3o com a realidade mostrou uma redu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da esperada pelo ajuste, e pelos modelos do IPCC.<\/p><p>A aparente retomada do crescimento da concentra\u00e7\u00e3o do metano, observada no comportamento das curvas da concentra\u00e7\u00e3o e de sua varia\u00e7\u00e3o na Figura 3, enquadram-se ainda no comportamento hist\u00f3rico de varia\u00e7\u00f5es ao longo da tend\u00eancia. O in\u00edcio de um novo ciclo de crescimento, no entanto, n\u00e3o pode ainda ser descartado.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4a_metano.png\" alt=\"\" width=\"723\" height=\"439\" data-wp-pid=\"2539\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig4b_metano.png\" alt=\"\" width=\"717\" height=\"439\" data-wp-pid=\"2540\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 4: Compara\u00e7\u00e3o do ajuste E&amp;E e a proje\u00e7\u00f5es dos modelos IPCC, o gr\u00e1fico de baixo apresenta uma amplia\u00e7\u00e3o de escala<\/em><\/p><p>No ajuste utilizado, \u00e9 bom notar que o m\u00e1ximo de varia\u00e7\u00e3o teria acontecido na metade da d\u00e9cada se setenta quando a humanidade ainda n\u00e3o havia tomado consci\u00eancia do aumento do efeito estufa nem dos poss\u00edveis efeitos sobre a temperatura global e consequentemente n\u00e3o havia medidas de conten\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Ou seja, a revers\u00e3o j\u00e1 se iniciara muito antes das preocupa\u00e7\u00f5es da sociedade com o tema e n\u00e3o deve ser atribu\u00edda a medidas tomadas ainda no s\u00e9culo anterior.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074959\"><\/a>3.\u00a0\u00a0 O Fator de Equival\u00eancia do Metano ao CO2<\/h2><p>Al\u00e9m do problema nas previs\u00f5es da concentra\u00e7\u00e3o do metano, existe outra quest\u00e3o de grande import\u00e2ncia que \u00e9 a equival\u00eancia do metano ao CO2 quando se avalia seu efeito sobre a atmosfera.<\/p><p>A grande maioria dos que trabalham na \u00e1rea concorda que \u00e9 real a participa\u00e7\u00e3o da atividade humana no aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. Quanto \u00e0 repercuss\u00e3o do efeito desses gases no aumento da temperatura, h\u00e1 um quase consenso sobre seu efeito qualitativo (h\u00e1 um aumento da temperatura), mas muita discrep\u00e2ncia quantitativa sobre seu valor (quantos graus a temperatura vai subir) e maior ainda sobre os efeitos indiretos que este aumento provocar\u00e1.<\/p><p>Entre os gases de efeito estufa dois se destacam: o g\u00e1s carb\u00f4nico ou CO2 e o metano ou CH4. Ambos funcionam como filtros da radia\u00e7\u00e3o da Terra para a estratosfera, retendo calor. O efeito dos dois gases como filtro \u00e9 diferente. Em fun\u00e7\u00e3o disto, cada tonelada de metano \u00e9 considerada 25 vezes mais poluente, do ponto de vista de efeito estufa, que a tonelada de g\u00e1s carb\u00f4nico.\u00a0 Acontece que o tempo de perman\u00eancia na atmosfera do metano \u00e9 muito menor que o do g\u00e1s carb\u00f4nico e, em fun\u00e7\u00e3o disto, seu efeito cumulativo sobre o poder da irradia\u00e7\u00e3o do Planeta (<em>Radiative Force RF<\/em>) \u00e9 menor do que quando \u00e9 emitido. Isto \u00e9 levado em conta no c\u00e1lculo do GWP (<em>Global Warming Potencial)<\/em> estabelecido a partir do efeito m\u00e9dio em 100 anos na radia\u00e7\u00e3o. O valor sugerido para a equival\u00eancia ao CO2 tem variado ao longo do tempo. Por ocasi\u00e3o do Protocolo de Kyoto era 21, no Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (conhecido por TAR da sigla em ingl\u00eas) era 25 e no Quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o \u2013 AR5 do IPCC est\u00e1 em 28.<\/p><p>O terceiro componente emitido, com os quais se completa 99% do total em equivalente, \u00e9 a oxido nitroso, N2O. Tamb\u00e9m ele apresenta um poder de radia\u00e7\u00e3o bem superior ao do CO2 sendo sua equival\u00eancia considerada como sendo 289 no TAR. Sua vida m\u00e9dia \u00e9 avaliada em 121 anos o que o torna menos sujeito \u00e0s varia\u00e7\u00f5es com o per\u00edodo de integra\u00e7\u00e3o usado para estabelecer a equival\u00eancia. Pode-se ver na Tabela 2 que sua varia\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena mudando-se de GWP para GTP (<em>Global Temperature change Potential<\/em>) ou usando-se diferentes tempos de integra\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Tabela 2: Vidas M\u00e9dias e Fator de equival\u00eancia a CO2*<\/p><table><tbody><tr><td width=\"70\">G\u00e1s<\/td><td width=\"76\">Vida M\u00e9dia<br \/>(anos)<\/td><td width=\"72\"><p>GWP<\/p><p>100 anos<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>GTP<\/p><p>20 anos<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>GTP<\/p><p>50 anos<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>GTP<\/p><p>100 anos<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"70\">CO2<\/td><td width=\"76\">Maior que 20.000<\/td><td width=\"72\">1<\/td><td width=\"71\">1<\/td><td width=\"71\">1<\/td><td width=\"71\">1<\/td><\/tr><tr><td width=\"70\">CH4<\/td><td width=\"76\">12,4<\/td><td width=\"72\">28<\/td><td width=\"71\">67<\/td><td width=\"71\">14<\/td><td width=\"71\">4<\/td><\/tr><tr><td width=\"70\">N2O<\/td><td width=\"76\">121<\/td><td width=\"72\">265<\/td><td width=\"71\">277<\/td><td width=\"71\">282<\/td><td width=\"71\">234<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>*Dados da Ref. (EFCTC, 2016) adotando os valores GWP para o AR5 do IPCC.\u00a0<\/p><p>O que mais interessaria do ponto de vista de aumento da temperatura global seria justamente esse poder de elev\u00e1-la quando comparado ao do CO2. Ao longo dos mesmos 100 anos, a equival\u00eancia de CH4 em CO2 teria um valor 4. Essa incerteza \u201cdesaparece\u201d para fins comerciais quando se adota um fator de equival\u00eancia, como foi feito no Protocolo de Kyoto, para negociar cr\u00e9ditos de carbono. Melhor seria que essa incerteza fosse claramente indicada para evitar desperd\u00edcios com medidas de efic\u00e1cia desconhecida.<\/p><p>Esses valores, que correspondem \u00e0 resposta a um pulso do g\u00e1s ao longo do tempo, est\u00e3o mostrados na Tabela 2. Um bom e did\u00e1tico resumo sobre os convenientes e inconvenientes de usar um ou outro indicador na compara\u00e7\u00e3o dos gases \u00e9 apresentado na Ref. (EFCTC, 2016). A raz\u00e3o alegada nesse artigo para adotar o GWP \u00e9 que ele \u00e9 menos sujeito a altera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, por varia\u00e7\u00f5es na metodologia. As incertezas metodol\u00f3gicas sobre os valores de GWP s\u00e3o estimadas em 26%, associadas ao efeito do CO2 tendo em vista os diferentes processos para sua absor\u00e7\u00e3o ao longo de 100 anos. Esta incerteza afeta igualmente o GWP e o GTP. As incertezas relativas ao metano s\u00e3o ainda maiores, porque o tempo de absor\u00e7\u00e3o do CH4 ainda \u00e9 indeterminado e parece depender do ambiente em que ele \u00e9 lan\u00e7ado. O principal mecanismo de seu desaparecimento seria atrav\u00e9s de rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com o radical OH:<\/p><p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0OH+CH4 \u2192 CH3+H2O<\/p><p>podendo se constatar valores diferentes de vidas m\u00e9dias dependendo da abund\u00e2ncia desse radical na atmosfera que \u00e9 vari\u00e1vel por localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Ademais existem outros mecanismos de absor\u00e7\u00e3o com din\u00e2mica pr\u00f3pria que tornam a proje\u00e7\u00e3o da vida m\u00e9dia do metano complexa. A a\u00e7\u00e3o humana se d\u00e1 em paralelo com a a\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente da Natureza como foi mostrado na Tabela 1.<\/p><p>A alega\u00e7\u00e3o para n\u00e3o usar o GTP \u00e9 que a combina\u00e7\u00e3o das duas incertezas (CO2 e CH4) resultaria em uma incerteza de \u00b1 96% no valor do GTP do equivalente do metano em CO2. Isso tornaria inconveniente usar a equival\u00eancia baseada no efeito sobre a temperatura (GTP) ao inv\u00e9s do GWP, baseado no poder de radia\u00e7\u00e3o que apresenta menor incerteza. A diplomacia e os \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos brasileiros defendem a ado\u00e7\u00e3o dos valores do GTP como equival\u00eancia. A posi\u00e7\u00e3o parece sensata porque, ainda que os valores estejam sujeito a erros, eles medem o que realmente interessa: o efeito sobre a temperatura.\u00a0<\/p><p>Esta diferen\u00e7a de posi\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses e sua poss\u00edvel motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 discutida na referencia (Chang-ke, et al., 2013). As emiss\u00f5es brasileiras, entre 1990 e 2005, seriam 42% menores usando-se, ao inv\u00e9s da equival\u00eancia GWP a GTP. Para os EUA, essa varia\u00e7\u00e3o seria de 9%, para o Jap\u00e3o 5%, para a Uni\u00e3o Europeia \u2013 UE 11% e para a China 19%. O uso do GTP em lugar do GWP \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 China, \u00cdndia, Brasil, Austr\u00e1lia e R\u00fassia, mas desfavor\u00e1vel para UE, EUA, Jap\u00e3o, Canad\u00e1, e \u00c1frica do Sul.<\/p><p>\u00a0Note-se que os par\u00e2metros usados por estes autores s\u00e3o diferentes dos mostrados na Tabela 2 para equival\u00eancia em CO2 do metano: 18 para o GWP e <strong>0,26 <\/strong>para o GTP. Isto faz parte da diversidade de par\u00e2metros usados, tendo em vista as incertezas existentes. A conclus\u00e3o importante \u00e9 que existe um fator pol\u00edtico atribu\u00eddo \u00e0 op\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses por uma ou outra equival\u00eancia.<\/p><p>A Figura 5, usando as equival\u00eancias da Tabela 2, compara, para o ano de 2012, os valores de emiss\u00f5es do Brasil e do Mundo, em equivalente a CO2, utilizando GWP e GTP.<\/p><p>A participa\u00e7\u00e3o do metano muda consideravelmente quando se passa de uma equival\u00eancia a outra; no valor global, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de 17% para o valor mundial e, de 40%, para o caso do Brasil. Notar tamb\u00e9m que a contribui\u00e7\u00e3o do metano para as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na equival\u00eancia GTP \u00e9 de apenas 3% o que a torna pouco relevante no quadro global.<\/p><p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig5a_metano.png\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"362\" data-wp-pid=\"2541\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig5a_metano.png\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"362\" data-wp-pid=\"2541\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 5: As emiss\u00f5es mundiais s\u00e3o menos alteradas quando se passa da equival\u00eancia do GWP para o GTP caindo 17%, j\u00e1 as do Brasil caem 40%; nos dois casos, cai muito a import\u00e2ncia relativa das emiss\u00f5es de meta.no<\/em><\/p><p>Como a equival\u00eancia adotada internacionalmente \u00e9 a GWP, isto se reflete na concentra\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o brasileiro em reduzir as emiss\u00f5es para a \u00e1rea de pecu\u00e1ria, maior respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de metano. Muitas das medidas propostas pelo Brasil no Quadro das \u201cContribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas\u201d \u2013 CND seriam alcan\u00e7adas com o aumento de produtividade e teriam talvez uma justificativa econ\u00f4mica, mesmo sem considerar as emiss\u00f5es. Entretanto, mesmo esse tipo de mitiga\u00e7\u00e3o, exige investimentos que elevariam o custo do produto e cujo retorno ainda n\u00e3o foi comprovado. Tamb\u00e9m o esfor\u00e7o na \u00e1rea do desmatamento, n\u00e3o foi inclu\u00eddo nesse levantamento, baseado no Banco de Dados do Banco Mundial. O metano \u00e9 o g\u00e1s, que maior contribui\u00e7\u00e3o tem nas emiss\u00f5es brasileiras (exceto uso da terra) o que \u00e9 absolutamente at\u00edpico nos grandes pa\u00edses.<\/p><p>Com tantas incertezas sobre a real efetividade das medidas propostas, quarenta por cento dos nossos problemas de emiss\u00e3o, n\u00e3o provenientes do uso da terra, podem ser \u201c<em>fake<\/em>\u201d. Assim, parece mais sensato dedicar os esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o para \u00e1reas mais promissoras e de menor incerteza.<\/p><p>Como tudo tem seu lado econ\u00f4mico, que vai al\u00e9m do efeito estufa, o car\u00e1ter extensivo de nossa pecu\u00e1ria diminui sua produtividade f\u00edsica (menos gado por unidade de \u00e1rea de pasto). A pr\u00e1tica da cria\u00e7\u00e3o extensiva se deve a abund\u00e2ncia de terras, consequentemente de seu baixo pre\u00e7o no Brasil, especialmente em regi\u00f5es de fronteira agr\u00edcola. Essa modalidade de explora\u00e7\u00e3o de gado de corte exige maior tempo de engorda e, por consequ\u00eancia, gera maior quantidade de metano por kg de carne. Na cria\u00e7\u00e3o intensiva de gado que predomina nos pa\u00edses desenvolvidos, o tempo de abate \u00e9 menor e a emiss\u00e3o direta \u00e9 menor por kg de carne produzida.<\/p><p>Se essa cria\u00e7\u00e3o extensiva consegue predominar sobre a intensiva em boa parte do territ\u00f3rio nacional, deve existir uma racionalidade econ\u00f4mica que a torne competitiva, e que deve ser tamb\u00e9m uma das causas da competitividade brasileira no mercado internacional.<\/p><p>Outro ponto que deve ser considerado, \u00e9 que esse tipo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9, usualmente, a primeira ocupa\u00e7\u00e3o permanente em \u00e1reas desmatadas. Isto faz com que a cria\u00e7\u00e3o de gado seja muitas vezes vista como fator indutor do desmatamento. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 contestada pelo Setor Agropecu\u00e1rio que v\u00ea essa primeira ocupa\u00e7\u00e3o como consequ\u00eancia desse desmatamento mais do que ser sua real indutora. De qualquer forma, o Brasil, como exportador de carne, est\u00e1 abrindo um flanco a nossos produtos que podem passar a ser discriminados por serem menos ecol\u00f3gicos que a carne criada com m\u00e9todos modernos.<\/p><p>Muito provavelmente, se o metano emitido for convertido em CO2 pela equival\u00eancia GTP, a cria\u00e7\u00e3o extensiva pode at\u00e9 significar um conte\u00fado resultante de carbono menor que da cria\u00e7\u00e3o intensiva. Com efeito, na cria\u00e7\u00e3o intensiva o gado \u00e9 alimentado com uso de insumos (fertilizantes, combust\u00edveis, equipamentos) com teor impl\u00edcito de CO2 maior que os usados na cria\u00e7\u00e3o extensiva conforme ocorre no Brasil que poderia ser considerada \u201corg\u00e2nica\u201d. Deve-se lembrar, que na contram\u00e3o do que seria melhor para diminuir as emiss\u00f5es do gado, h\u00e1 um movimento mundial para evitar o sofrimento das aves confinadas na produ\u00e7\u00e3o de ovos<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[4]<\/a>. Se aplicado ao gado de corte, essa preocupa\u00e7\u00e3o favoreceria a cria\u00e7\u00e3o extensiva.<\/p><p>As metas de contribui\u00e7\u00e3o do Brasil anunciadas em Paris, trar\u00e3o \u00f4nus extra para o Setor Agropecu\u00e1rio que \u00e9 respons\u00e1vel por atender por uma das partes mais cr\u00edticas da contribui\u00e7\u00e3o brasileira para o Acordo de Paris. Com efeito, recai sobre o Setor a responsabilidade de reduzir suas emiss\u00f5es, relativas de 2005, a praticamente \u00e0 metade em 2025\u00a0(Feu Alvim, et al., 2017). N\u00e3o faltam ainda vegetarianos e outras tend\u00eancias que encontram nas emiss\u00f5es de metano mais uma raz\u00e3o para suas causas. Isso vai atingir os interesses dos produtores e ajudar a discriminar a carne produzida por processos mais extensivos (e naturais). Estudos do conte\u00fado de carbono equivalente por produto devem ser feitos com os dois \u00edndices para apurar o risco de se estar aplicando medidas contraproducentes do ponto de vista do controle do aumento de temperatura.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074960\"><\/a>4.\u00a0\u00a0 A Posi\u00e7\u00e3o dos Cientistas frente ao Efeito Estufa<\/h2><p>A quest\u00e3o do efeito estufa colocou os cientistas em uma inc\u00f4moda situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. De repente, o cientista se v\u00ea na posi\u00e7\u00e3o de defensor de uma causa: convencer popula\u00e7\u00e3o e governos de que o efeito estufa existe e devem ser tomadas medidas a respeito.<\/p><p>\u00c9 normal que o cientista, que tamb\u00e9m \u00e9 um cidad\u00e3o do mundo, use suas convic\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para orientar sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O que \u00e9 absolutamente inconveniente \u00e9 que essas convic\u00e7\u00f5es passem a orientar sua atua\u00e7\u00e3o no campo da ci\u00eancia onde a atitude cr\u00edtica \u00e9 metodologicamente indispens\u00e1vel. Os cientistas sabem que essa interfer\u00eancia tende a existir, mas se escudam na metodologia para identific\u00e1-la e evit\u00e1-la. Nessa quest\u00e3o espec\u00edfica das Mudan\u00e7as do Clima, eles enfrentam outra quest\u00e3o importante: a ONU lhes deu a miss\u00e3o de aconselhar a atua\u00e7\u00e3o da sociedade mundial e de seus pa\u00edses frente ao problema.<\/p><p>Quanto \u00e0 maneira de enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, existem duas op\u00e7\u00f5es fundamentais: tentar evit\u00e1-la (mitiga\u00e7\u00e3o) e\/ou adaptar-se a seus efeitos (adapta\u00e7\u00e3o). A adapta\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 talvez a op\u00e7\u00e3o de maior relev\u00e2ncia para um pa\u00eds em desenvolvimento como o Brasil. Fundamentalmente, considera-se que o aumento da temperatura \u00e9 inevit\u00e1vel e que dever\u00edamos usar nossos parcos recursos em adapta\u00e7\u00e3o. Pesa em favor dessa posi\u00e7\u00e3o o fato de nossa responsabilidade hist\u00f3rica sobre o aumento de gases de efeito estufa na atmosfera ser pequena.<\/p><p>H\u00e1 um consenso, ali\u00e1s, que os pa\u00edses mais pobres ser\u00e3o os que mais sofrer\u00e3o os efeitos do aumento da temperatura global. Isto nos levaria a concluir que devemos chegar a este futuro longe da pobreza que j\u00e1 \u00e9 catastr\u00f3fica no Pa\u00eds, especialmente nas regi\u00f5es que mais seriam atingidas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Norte e Nordeste).<\/p><p>Este fato refor\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o aqui exposta que o Brasil deve rever suas metas \u00e0 luz da contabilidade das emiss\u00f5es com base no GTP. Medidas que s\u00e3o positivas na contabilidade GWP podem se revelar negativas, do ponto de vista do aquecimento global. Deve-se considerar a incerteza dos modelos relativos \u00e0 vida m\u00e9dia do metano e \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de seu conte\u00fado na atmosfera para o qual parece n\u00e3o existir ainda um m\u00ednimo de consenso. Enquanto isso, seria interessante que as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de metano se limitassem as que se revelem positivas na equival\u00eancia GTP.<\/p><p>Notas:<\/p><p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> ppm, parte por milh\u00e3o e ppb, parte por bilh\u00e3o (em massa).<\/p><p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> Matematicamente, isto significa que\u00a0 dN\/dt = N*k onde k seria uma constante e N* a concentra\u00e7\u00e3o inicial.<\/p><p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> The IPCC SRES (Nakic\u00b4enovic\u00b4 et al., 2000) developed 40 future scenarios that are characterized by distinctly different levels of population, economic, and technological development. Six of these scenarios were identified as illustrative scenarios and these were used for the analyses presented in this chapter. The SRES scenarios define only the changes in anthropogenic emissions and not the concurrent changes in natural emissions due either to direct human activities such as land-use change or to the indirect impacts of climate change.<\/p><p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a> BRF deixar\u00e1 de usar ovos de galinhas confinadas em gaiolas at\u00e9 2025 https:\/\/www.worldanimalprotection.org.br\/not%C3%ADcia\/brf-deixara-de-usar-ovos-de-galinhas-confinadas-em-gaiolas-ate-2025<\/p><h1><a name=\"_Toc528074961\"><\/a>Bibliografia<\/h1><p><strong>Brasil MRE\/MCTIC. 2017.<\/strong> Segundo Relat\u00f3rio de Atualiza\u00e7\u00e3o Bienal do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro da ONU sobre Mudan\u00e7as do Clima. <em>SIRENE.MCTIC. <\/em>[Online] 2017. http:\/\/sirene.mcti.gov.br\/documents\/1686653\/2091005\/BUR2-PORT-02032017_final.pdf\/91e855c5-0e73-41e0-9df2-1fc0b723a51d.<\/p><p><strong>Chang-ke, Wang, Xin-Zheng, Luo and Hua, Zhang. 2013.<\/strong> Shares Differences of Greenhouse Gas Emissions Calculated with GTP and GWP for Major Countries. <em>Adv. Clim. Change Res. <\/em>2013, Vol. 4, 2.<\/p><p><strong>de Souza Filho, Paulo C. and Serra, Osvaldo A. 2014.<\/strong> TERRAS RARAS NO BRASIL: HIST\u00d3RICO, PRODU\u00c7\u00c3O E PERSPECTIVAS. <em>Quim. Nova. <\/em>N\u00b0 4, 2014, Vol. 37, pp. 753-760.<\/p><p><strong>EFCTC. 2016.<\/strong> Global Temperature change Potential compared to Global Warming Potential. <em>European Fluocarbons Technical Committee. <\/em>[Online] EFCTC, january 2016. https:\/\/www.fluorocarbons.org\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/EFCTC_Learn_about_GTP_versus_GWP.pdf.<\/p><p><strong>Feu Alvim, Carlos and Mafra, Olga. 2017.<\/strong> Economia e Energia. <em>As metas brasileiras para as emiss\u00f5es. <\/em>[Online] Ecen Consultoria, junho 2017. http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=515.<\/p><p><strong>Feu Alvim, Carlos, Ferreira, Omar Campos and Vargas, Jos\u00e9 Israel. 2006.<\/strong> Evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera. <em>Economia e Energia &#8211; E&amp;E. <\/em>[Online] E&amp;E, Maio 2006. http:\/\/ecen.com\/eee55\/eee55p\/metano_na_atmosfera.htm.<\/p><p><strong>IPCC. 2001.<\/strong> Climate Change 2001: The Scientific Basis. <em>IPCC. <\/em>[Online] IPCC Work Group 1, 2001. https:\/\/www.ipcc.ch\/ipccreports\/tar\/wg1\/pdf\/WGI_TAR_full_report.pdf.<\/p><p><strong>Vargas J. I e Gorgozinho, P. M. 2012.<\/strong> ecen.com.br. <em>eee 86. <\/em>[Online] ecen consultoria, julho a setembro 2012. [Cited: setembro 03, 2018.] http:\/\/ecen.com\/eee86\/eee86p\/desmatamento_amazonia.htm.<\/p><p><strong>Weele, Michiel van. 2006.<\/strong> Assessing methane emissions from global spaceborne observations. <em>KYMN. <\/em>[Online] https:\/\/www.knmi.nl\/kennis-en-datacentrum\/achtergrond\/assessing-methane, 2006. https:\/\/www.knmi.nl\/kennis-en-datacentrum\/achtergrond\/assessing-methane-emissions-from-global-spaceborne-observations.<\/p><p>ANEXO: Valores projetados pelo Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC para concentra\u00e7\u00e3o dos principais gases de efeito estufa, meia vida do metano e concentra\u00e7\u00e3o de OH.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FigA1_metano.png\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"599\" data-wp-pid=\"2543\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura A1<strong>:<\/strong> Proje\u00e7\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o dos principais gases de efeito estufa para os diversos cen\u00e1rios para o Terceiro Relat\u00f3rio (TAR) do IPCC\u00a0 <\/em><br \/><em>[Baseado nas Figuras 3.12 e 4.14 do original].\u00a0Os gr\u00e1ficos mostram que as incertezas sobre o metano s\u00e3o maiores que as sobre a de outros gases<\/em><\/p><p>Amplia\u00e7\u00e3o da Figura A1, sobreposta a valores reais m\u00e9dios observados<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/figA2_metanp.png\" alt=\"\" width=\"884\" height=\"539\" data-wp-pid=\"2544\" \/><br \/><em>Figura A.2: Uma superposi\u00e7\u00e3o do comportamento observado para o CO2 e as concentra\u00e7\u00f5es realmente verificadas mostra a confiabilidade das previs\u00f5es para o TAR, ao contr\u00e1rio do que ocorreu com as de CH4<\/em><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/figA3_metano.png\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"321\" data-wp-pid=\"2545\" \/><\/p><p><em>Figura A3: Proje\u00e7\u00f5es para o tempo de vida correspondente \u00e0s hip\u00f3teses para o metano (\u00e0 esquerda) e concentra\u00e7\u00f5es de OH correspondentes (\u00e0 direita) que apresentam comportamentos inversos ao longo do tempo.<\/em><\/p><p>\u00a0<\/p><p>\u200b<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 EFEITO ESTUFA: PERSISTEM D\u00daVIDAS SOBRE O PAPEL DO METANO Carlos Feu Alvim e Olga Mafra\u00a0 carlos.feu@ecen.com, olga@ecen.com Resumo Os teores do g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) e do metano (CH4) na atmosfera est\u00e3o acima dos recordes hist\u00f3ricos e pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Ao contr\u00e1rio do g\u00e1s carb\u00f4nico, entretanto, o crescimento do metano mostra sinais de desacelera\u00e7\u00e3o desde os anos &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?p=2534\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Efeito Estufa: D\u00favidas sobre o Papel do Metano&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[76],"tags":[27,29,88,35],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2534"}],"collection":[{"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2534"}],"version-history":[{"count":12,"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2534\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2671,"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2534\/revisions\/2671"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}